Class – Episódios 1 ao 4

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Enquanto Doctor Who ainda não vem, o que melhor do que o novo spin-off para ocupar meus reviews semanais?

Por motivos que já citei aqui no site, acabei atrasando e só fui ver esses 4 primeiros episódios nos 2 últimos dias.

Pra quem não sabe, Class é uma série spin-off de Doctor Who que está tendo sua estreia esse ano. E se você não sabe o que é Doctor Who, é só procurar no site que vai achar uns prováveis 98194 posts explicando.

A série tem TODOS os seus episódios escritos por Patrick Ness, conhecido pela série de livros Chaos Walking e por A Monster Calls, que ganhou filme esse ano e é um forte candidato ao Oscar.

Até onde sei, a série só vai ter 8 episódios, e como 4 já saíram, não vamos perder tempo, certo?

Episódio 1 – For Tonight We Might Die

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Começamos com um ótimo primeiro episódio (talvez, o melhor até agora).

Depois de uns 2 minutos iniciais meio bobos, somos apresentados aos 5 protagonistas de uma maneira super natural. April é a menina esforçada e forte, mas que por ser sempre tão boa e dedicada acaba sendo subestimada pelos outros; Tanya é a menina prodígio de descendência nigeriana que pulou alguns anos na escola mas que tem problemas em fazer amigos que falem com ela por outros motivos além de sua inteligência; Ram é o esportista popular de descendência indiana que apesar de manter as aparências de um valentão, se preocupa muito com quem lhe é próximo; Charlie é o garoto novo, homossexual, com dificuldades de se adaptar ao ambiente novo e a Srta. Quill, professora de todos eles, um poço de sarcasmos e ironias.

Apesar de um núcleo de personagens que parece apenas “cumprir a cota”, suas personalidades são tão naturais nesse primeiro episódio que nos dá a sensação de que realmente estamos acompanhando a vida de um grupo de adolescentes normais de uma escola normal.

Com diálogos de alto nível nesse começo, vemos os 4 adolescentes e a professora tendo que lidar com a ameaça de uma brecha no tempo-espaço que pode estar ligada a vários locais com alienígenas que podem querer invadir a Terra.

É importante citar o quanto esse episódio (e, toda a série, até agora) está logo ali no limite entre poder ser considerado uma série mais adulta. E não só nos problemas reais dos protagonistas, mas até em questões como sangue e violência gráfica, algo (quase) inexistente na série-mãe.

Inclusive, tendo 4 desses 5 protagonistas sendo adolescentes, o roteiro de Patrick Ness os entrega para o público como algo muito mais verossímil do que os personagens de séries como Flash, que apesar de serem jovens adultos, parecem mais agir como pré-adolescentes.

E ah, vale citar também a participação de Peter Capaldi como o Doutor nesse episódio. Não sei se é por estarmos em abstinência do personagem por não ter temporada esse ano, mas cada segundo que Capaldi está em cena vale ouro. Apesar de uma participação curta (basicamente, apenas para resolver o problema de forma mais pacífica e apresentar o status quo da série para os personagens), é óbvio que ele rouba a cena e nos faz imaginar se veremos mais dele até o fim da temporada. Inclusive, tem um pequeno “easter egg”, se é que dá pra chamar assim, relacionado ao fim da nona temporada, mas que dura apenas alguns segundos então quem ainda não a viu não perderá nada.

Mas mesmo com Capaldi roubando o episódio, o principal mérito está em nos entregar personagens tão carismáticos que nos fazem querer continuar vendo-a, mesmo sem Doutor.

Então com um clima totalmente diferente de Doctor Who, com violência, jovens verossímeis, referências à cultura pop e um mundo bem mais próximo do nosso, Class entrega um ótimo primeiro episódio.

Episódio 2 – The Coach With The Dragon Tattoo

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A primeira coisa que me chama a atenção nesse episódio quando lembro dele é a dita violência.

Temos sangue à rodo e até esfoleamento nesse episódio. Mas o bom é que esses elementos não aparecem apenas gratuitamente, sendo bem dosados.

O foco aqui é mais no Ram. Mostrar o personagem traumatizado pelos acontecimentos do episódio anterior é um artifício interessantíssimo que inclusive redime o final bobo do personagem no episódio anterior.

Apesar da explicação do mistério do episódio em si ter sido bem caída, foi um episódio interessante, principalmente por explicitar a abordagem “episódica só que não” da série.

Digo, primeiro temos que os personagens estão evoluindo. Então pegar apenas esse episódio para assistir, apesar da ameaça ter sido contida, não faria sentido a quem não viu o primeiro episódio. Segundo que temos o início de uma trama paralela que pelo jeito se concluirá só no fim da temporada que envolve uns tais de “Governadores”.

Episódio 3 – Nightvisiting

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Provavelmente o melhor episódio até agora.

O maior feito dessa série até então é seus personagens serem tão complexos, tão humanos, tão verossímeis.

Apesar do episódio ser um pouco mais centrado na Tanya, todos tem seu momento de brilhar… Exceto Ram.

Aqui, o ator que o interpreta (que me esqueci o nome agora) mostra suas limitações quando tem que ser mais sutil. Parece que por não ser o foco do episódio, ele está muito mais travado e no automático, enquanto todos os outros atores continuam excepcionais, com destaque para a atriz que interpreta April.

Novamente, o ponto positivo central é na maturidade do roteiro. Os problemas vividos pelos protagonistas são tão reais que emocionam instantaneamente, desde detalhes como o do pai da April até o relacionamento de Charlie com Matteusz.

Episódio 4 – Co-Owner Of A Lonely Heart

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Esse último episódio foi bem extremo.

Os problemas e as qualidades do roteiro de Ness estão elevados ao máximo. Esse episódio continua a trama iniciada no primeiro da April dividir o coração com o Rei dos Shadowkin, uma raça alien. E April se mostra facilmente como a personagem mais complexa da série, que nos é entregue pela junção do roteiro e atuação espetaculares de Ness e da atriz que a interpreta, respectivamente.

Porém, Ness até então não mostrou muita habilidade em criar ameaças interessantes nesse formato episódico. É tudo meio confuso e sem-graça, com uma sensação de potencial desperdiçado, e nesse quarto episódio isso fica bem explícito.

E a direção também não ajudou. Todas as cenas envolvendo o Rei no seu planeta beiram o ridículo, e ficamos sem saber se foi a intenção inicial ou se aquelas cenas eram feitas para se levar a sério.

Além de que, aqui, mais do que no episódio anterior, Ram continua fraco.

Por outro lado, temos a continuação da trama dos Governadores e mais uma sub-trama relacionada à principal do tal Gabinete de Almas que Charlie possui e a discussão moral da função daquilo como arma.

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Enfim, foi isso até agora.

No momento em que escrevo esse texto o quinto episódio já saiu, ou seja, já estou atrasado. Mas em breve volto com o review do dito episódio.

E aí, tá gostando de Class?

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