Doutor Estranho e o Tempo

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O filme mais visualmente rico da Marvel que surpreendeu à todos com suas temáticas.

(Texto SEM SPOILERS)

Sejamos sinceros: todo mundo sempre CAGOU pro Doutor Estranho.

Inclusive, quem tinha um conhecimento mediano sobre quadrinhos (sim, “tinha”, porque desde que os filmes estão na moda agora todo mundo quer parecer saber mais do que o outro), conhecia mais o Homem-Formiga (outro herói que muitos julgam desconhecido) por sua importância nos Vingadores do que o Doutor Estranho.

Apesar de que, ainda assim, ele sempre foi mais conhecido do que os Guardiões da Galáxia.

Mas bem, depois da Marvel entregar filmes mais do que competentes com personagens que ninguém nunca se importou muito como os ditos Guardiões e Homem-Formiga, já se tornou óbvio que a Marvel dos cinemas consegue tirar um pouco de ouro da mina mais desconhecida possível.

Então mesmo sendo esse personagem que todo mundo caga, ninguém esperava algo menos que mediano desse filme.

Mas aí começou a sair o elenco. Com um núcleo formado por atores consagrados como Benedict Cumberbatch, Chiwetel Ejiofor, Benedict Wong e, principalmente, Tilda Swinton, a esperança sobre o filme prevaleceu mesmo com a controvérsia escolha de Scott Derrickson na direção, que tem em seu currículo filmes de terror parcialmente consagrados como A Entidade, O Exorcismo de Emily Rose e Livrai-nos do Mal, mas também tem obras como o remake de O Dia em que a Terra parou.

Sobre o filme em si, infelizmente o elenco não brilha tanto quanto poderia brilhar. Benedict Cumberbatch está ótimo no papel, mais bem humorado do que eu imaginei, enquanto que Tilda Swinton entrega uma Mestre Anciã sublime, quase lírica, apesar de um pouco expositiva demais. Chiwetel, como Barão Mordo, entrega mais do que o roteiro queria, ficando um tanto quanto contido mas ainda assim com um certo brilho, enquanto que Benedict Wong não fede nem cheira.

Já a direção só surpreende nas cenas mais surreais. Não faço ideia do quanto Scott Derrickson realmente esteve envolvido em todas aquelas sequências, mas se é ele a mente por trás daquilo, espero que no segundo filme ele continue na direção e que pire ainda mais.

Aliás, fica um pequeno adendo quanto a direção: por Derrickson vir de quase maioritariamente filmes de terror, pensei que haveria alguma brincadeira ou referência a isso ao longo do filme, e eu não estava errado. Porém, veio de uma forma que eu não esperava: ao invés de uma ou outra cena mais tensa (como poderia ter sido a luta final), com alguns sustinhos, Derrickson brinca com o gênero subvertendo a ideia dos sustos em uma sequência no segundo ato do filme. Ponto pro diretor.

Agora, o filme é completamente ligado na temática do tempo.

Todo o drama que envolve a Mestre Anciã e o vilão do filme é a questão da imortalidade. O fim do nosso tempo vivos. E isso é um tema pesado, mas tratado de uma forma muito delicada pelo filme (apesar de um tanto quanto expositiva demais).

Temos um cirurgião que salva vidas se vendo na tentação de poder viver num mundo em que não seja mais necessário correr risco de vida. Sua Mestra esconde o tempo de vida dela. E o aprendiz dela, luta para manter a morte, inclusive sendo capaz de fazer sacrifícios por isso.

Esse núcleo temático entre os personagens é simplesmente sensacional, e o tema em si é algo que eu nunca esperaria de um filme da Marvel. Mas aí está o diferencial: mesmo com um tema tão pesado, o carisma dos personagens nos mantém numa zona segura e otimista, em que nos é aberto o espaço para a reflexão sem perder a esperança que o conceito de “super-herói” carrega consigo.

E então, além da temática do filme, o próprio poder do Doutor Estranho envolve tempo, mas em outro sentido: aqui, temos o “tempo” da “viagem do tempo”. O do relógio.

Como um fã de Doctor Who (sim, eu tinha que mencionar em algum momento), eu não me impressionei tanto com as brincadeiras temporais que o filme faz, mas admito que são muito bem pensadas e sem cair na megalomania que Doctor Who cai as vezes.

Inclusive, o terceiro ato é um misto da luta final da parte 3 de Jojo’s Bizarre Adventure com Doctor Who. É engraçado: um ator britânico, interpretando um “Doctor”, numa história que envolve paradoxos e loops temporais. Mas revelar mais do que isso seria spoiler.

Porém, o filme também tem defeitos. E seu maior defeito envolve o tempo. Mas aqui, a passagem narrativa dele; não dá pra saber em quanto tempo algumas coisas acontecem a não ser que consideremos que o filme se passa em 2017 (ou ainda mais pra frente). No começo, um pequeno easter egg nos revela que aquela cena se passa no começo de 2016, enquanto estava acontecendo o Guerra Civil. Então, enquanto a trama do filme acontece, Stephen Strange passa de cirurgião cético para mestre da magia em pouquíssimo tempo; quando nos damos conta, ele já está revelando segredos à Mordo que até onde acompanhamos ele só tinha visto de leve na cena anterior, e enquanto que na cena anterior à essa ele mal sabia lutar. Toda essa passagem é muito confusa, e não dá pra entender muito bem quanto tempo se passou ou o quanto Stephen Strange treinou.

Mas não me entendam mal: não significa que o arco de personagem de Strange é apressado. Pelo contrário; podemos acompanhar aos poucos o quanto sua personalidade evolui. O problema aqui são seus conhecimentos, mesmo.

Por fim: Doutor Estranho é um filme surpreendente. Para alguns, pode parecer apenas “mais um filme da Marvel”. É sim, mais um filme da Marvel, tanto em quantidade quanto em qualidade, mas que ainda assim consegue se reinventar e ser único em sua fórmula e visual. Um dos blockbuster mais interessantes do ano, até agora.

 

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Um comentário sobre “Doutor Estranho e o Tempo

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