MARATONA OSCAR: Melhores Filmes

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Infelizmente, não consegui fazer mais vídeos com pequenos resumos sobre os filmes que estão concorrendo ao Oscar desse ano.

Porém, pra não passar batido, farei isso nesse post. Confira pequenos comentários meus sobre os filmes que concorreram à Melhor Filme (além de A Qualquer Custo, que já fiz um vídeo falando sobre)!

 

Caso você não saiba quais os indicados e queira ver minhas apostas, é só clicar AQUI.

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Um Limite Entre Nós (FENCES, 2016)

Eu sou a última pessoa que você vai ver reclamando sobre traduções de títulos de filmes aqui no Brasil.

Mas, porra, “Um Limite Entre Nós” é sacanagem, né?

Fences conta sobre essa família encabeçada pelos personagens do Denzel Washington e da Viola Davis (ambos concorrendo à melhor atuação), mostrando suas relações com os filhos, vizinhos, familiares distantes, a sociedade e todo o mundo à volta deles. O roteiro é adaptado de uma peça de teatro escrita por August Wilson, nome já consagrado no meio.

O lance com esse roteiro é que ele foi escrito para a linguagem teatral. Uma gigantesca parte dele se passa no mesmo local (o jardim dos fundos da casa), ele é todo levado por diálogos… E, tendo esse ponto de vista, o filme é incrível. A história em si é tocante, verossímil, emocionante. Tudo é construído ao redor de sutilezas nos diálogos dos personagens, então por mais que 95% do filme seja apenas conversa, quase nunca fica expositivo, se tornando algo natural, fluído e que nos apresenta o universo daqueles personagens de uma maneira fenomenal (exceto em momentos em que os personagens param pra contar histórias que todos ali sabem. Mas ainda assim é tão bem executado que não chega a incomodar tanto).

O problema está na diferença de linguagens. O cinema “exige” um dinamismo diferente do teatro, o que acaba pesando no filme em suas 2 horas e meia quando alguns momentos ficam simplesmente maçantes. Denzel Washington, que também dirige o filme, tenta mudar isso, conseguindo tanto quanto falhando: ao mesmo tempo que em vários momentos que normalmente seriam parados ele consegue dar um movimento de câmera interessante e enriquecedor durante as cenas (tanto nas de diálogos quanto nas mais sutis), em outros o diretor parece perdido, usando hora movimentos óbvios (como o foco na rosa que cai da mão da personagem da Viola Davis (que, veja só, se chama Rose)) e hora fazendo cenas externas ao local principal do filme que mal acrescentam à obra final.

Dito isso, não acho que leve  o prêmio de Melhor Filme. É como se estivesse concorrendo por todo o conjunto da obra de August Wilson, que como eu disse, é um nome super renomado no teatro, e que realmente entrega uma história maravilhosa. Mas como uma obra cinematográfica, deixa a desejar em aspectos que podem pesar demais ao espectador.

Se tem um terreno que esse filme está completamente seguro é em suas atuações. Junto ao Oscar de Roteiro Adaptado, acredito que será merecido se Denzel Washington e/ou Viola Davis levarem os prêmios de melhor atuação do ano. Ambos dão vida e profundidade à personagens complexos e reais, que mal são necessariamente “gostáveis” mas que inevitavelmente te prendem.

E aliás, a maior disputa pelo prêmio de atuação é com o filme seguinte.

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Manchester à Beira-Mar (MANCHESTER BY THE SEA, 2016)

Sendo uma das obras que está concorrendo a mais prêmios nesse ano, Manchester By The Sea entrega uma experiência altamente emocional.

O filme conta a história de um homem amargurado e isolado por acontecimentos passados tendo que ir até o litoral de Manchester após seu irmão mais velho morrer, tendo que cuidar de tudo que este deixou, inclusive seu filho. E então, desenvolvendo a relação de tio e sobrinho, o filme vai nos apresentando o que esses dois passaram enquanto os mostra tendo que lidar com perdão, solidão e vários sentimentos que vão vindo à tona.

Inclusive, um pequeno comentário que nem tem a ver com o filme em si, mas essas peças promocionais (como a acima) parecem dar uma informação errada sobre o filme. Vendo o pôster, parece que a história vai se focar muito mais no relacionamento desses dois personagens, que apesar de ser muito importante, ao meu ver nem é o principal foco do filme. Mas enfim, é apenas um detalhe que me incomodou.

Manchester By The Sea constrói seus personagens e toda sua história através de pequenos momentos quase episódicos intercalados com flashbacks muitíssimo bem colocados. Numa hora estamos no presente, frio e solitário, e na cena seguinte somos levados ao passado feliz e vivo, representando a mudança brusca e quase extrema que os acontecimentos mostrados trouxeram à vida dos personagens.

A estrutura quase episódica algumas vezes não funciona, principalmente quando somos apresentados a sub-tramas que não acrescentam a o que está sendo mostrado (como toda a historia do personagem do Lucas Hedges com suas duas “namoradinhas”). Por outro lado, tal estrutura ajuda a nos envolvermos mais com a relação “tio-sobrinho” dos dois protagonistas, em que ao invés de vermos apenas uma grande história, acompanhamos esses pequenos momentos que constroem a relação com muito mais riqueza.

Sobre as atuações… Casey Affleck está simplesmente incrível. É, sem dúvidas, uma das melhores e mais complexas atuações do ano, sendo um personagem quieto, quase inexpressivo, mas interpretado com uma paixão que por vezes nos esquecemos que é um “personagem interpretado por um ator” e ficamos realmente comovidos e intrigados com sua complexidade emocional.

Lucas Hedges, por outro lado, não me agradou. Inclusive, em algumas cenas que eram pra ser sérias e emocionantes, eu não conseguia dizer se o personagem estava realmente sério ou se estava fingindo.

Já Michelle Williams está incrível. Seu tempo de tela é curto, mas quando ela aparece, e principalmente na cena retratada no pôster, é de arrepiar.

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Lion: Uma Jornada Para Casa (LION, 2016)

Aqui, começamos a “cota” dos filmes baseados em histórias reais.

Lion conta a história de uma criança indiana que se perde de sua família quando criança e, quando adulto, após ter sido adotado por uma família australiana, decide procurar sua terra natal novamente.

Aqui, parece que temos 2 filmes diferentes. O primeiro nos mostra a jornada do protagonista, Saroo, quando criança, tendo que sobreviver como pode longe de casa. Já o segundo nos apresenta Saroo adulto, procurando o caminho de volta.

O primeiro filme é muito bom. Real, visceral, mas sem necessariamente cair no peso exacerbado de uma criança perdida. Os problemas começam no segundo filme.

Apesar das atuações estarem ótimas, parece que a direção perde a mão. A dinâmica do personagem fazendo o que pode para achar o lugar onde morava e os momentos em que entramos na cabeça do personagem e vemos suas visões do passado são ótimas (tudo isso entregue com a atuação super competente do Dev Patel), mas por outro lado, tudo parece uma grande coxa de retalhos. Mudanças de tom bruscas (e que não tem um propósito como tinham em Manchester By The Sea), personagens que não acrescentam, uma edição toda confusa… Fazem o filme soar perdido, por mais que haja uma história objetiva e real a ser contada.

Porém, esse filme tem algo que costuma “salvar” vários filmes baseados em histórias reais e que aqui eleva muito o valor sentimental ao qual nos apegamos: o tal “epílogo real”. Por ser uma história tão recente e tão emocionante, quando o filme mostra vídeos reais do que aconteceu, fica difícil não terminar a obra numa nota positiva.

Infelizmente, como um filme em si, na minha opinião não merecia nem estar concorrendo à Melhor Filme. Por outro lado, as atuações de Dev Patel e Nicole Kidman estão realmente incríveis e merecem estarem concorrendo.

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Estrelas Além do Tempo (HIDDEN FIGURES, 2016)

Ok, Estrelas Além do Tempo é um nome brega pra cacete, mas é tão brega quanto o filme, então tá ótimo (e não acho que “Figuras Escondidas” ficaria bom).

Hidden Figures conta a história real de 3 mulheres negras que foram essenciais para o lançamento do Projeto Mercury, primeiro voo espacial tripulado dos Estados Unidos.

Temos aqui um filme divertido, com atuações competentes, e… Só.

Não, sério.

O ritmo do filme é leve, gostoso, e o uso de músicas da época é bem feito e sempre dão um ar “divertido” que entretém mesmo que o filme não seja necessariamente “engraçado”. É um filme que passa rápido, porém, também é esquecido rápido.

Veja bem, não houve nada aqui que tenha ativamente me incomodado. Mas também não houve nada que chamasse atenção e colocasse esse filme num patamar acima de outros. É uma obra que não tem por quê estar concorrendo aqui, por mais que não seja objetivamente ruim.

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Moonlight: Sob A Luz do Luar (MOONLIGHT, 2016)

Um dos favoritos do ano, Moonlight conta a história de um personagem negro e homossexual durante 3 momentos de sua vida: infância, adolescência e adulto, cada fase tendo um nome que o representa.

Primeiro que esse filme faz algo simplesmente incrível usando 3 atores para interpretar o mesmo personagem em fazes diferentes de sua vida; ao contrário de Lion em que simplesmente aceitamos os 2 atores que interpretam Saroo, aqui temos 3 atores que além de serem parecidos fisicamente, conseguem carregar o mesmo olhar durante o filme inteiro. Mesmo que cada um tenha suas particularidades, dá pra ver o mesmo olhar, as mesmas dúvidas e as mesmas dores crescendo com o personagem. Nem se filmassem durante anos com o mesmo ator teria ficado tão bom (to olhando pra você, Boyhood).

Moonlight é um filme sutil e simbólico. Tudo ali é construído e executado de maneira brilhante e única, com Barry Jenkins sendo facilmente um dos melhores diretores do ano.

Há muito peso nos olhares, aqui. Várias cenas são construídas no silêncio, com no máximo sons (diegéticos ou não) ao fundo, mas nunca dependendo de personagens tendo que dizer o que está sendo mostrado. É o “mostre, não conte” elevado ao máximo entre os filmes que estão concorrendo.

E é curioso que esse filme possui 2 atores que também estão em Hidden Figures: Mahershala Ali e Janelle Monáe, ambos ótimos.

Há algumas coisas que me incomodaram aqui, mas nenhuma realmente me tirou do filme. Moonlight é uma história sobre auto descobrimento; conhecer e aceitar quem você é. E, inclusive, mesmo não sendo um filme de romance, teve uma das cenas mais “fofas” que já vi em muito tempo no cinema.

Não estranharia se ganhasse Melhor Filme (apesar de não ser minha torcida), mas é um dos que mais estou torcendo para Melhor Direção.

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A Chegada (ARRIVAL, 2016)

A Chegada é uma ficção científica no sentido literal da palavra.

Numa história em que alienígenas chegam à Terra, temos um grande conto sobre destino e relações.

Ao invés de explosões, armas laser e batalhas, temos um estudo aprofundado sobre linguagens e o que elas significam para nós, seres vivos, em relação à como nos comunicamos e até a como vivemos nossas vidas.

A direção de Denis Villeneuve é precisa, lenta e detalhada. Temos um filme que não se apreça a demonstrar seu propósito, e que também vai construindo cada mínimo elemento para que nada apresentado fique deslocado mais pra frente.

Um elenco incrível, uma história intimista e sutil e uma direção super cuidadosa tornam Arrival um dos melhores filmes de ficção científica dos últimos anos e prova que Denis Villeneuve é um dos melhores diretores da geração atual.

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Até o Último Homem (HACKSAW RIDGE, 2016)

Depois de 10 anos, Mel Gibson voltou a dirigir um filme.

Em praticamente todas obras dirigidas por ele, religião e violência são elementos praticamente essenciais ao filme e ao que ele representa. E nesse, não é nem um pouco diferente.

Último filme da lista a ser baseado em uma história real (e o que tem a história mais improvável), Até o Último Homem surpreende por sua crueza. Uma história relativamente simples, e que sabe trabalhar muito bem toda a “ironia” de seu tema de um pacifista num cenário naturalmente violento.

O problema é que em vários momentos o filme fica… “Bobo”. Brega, e usando artifícios que seriam muito comuns no cinema de guerra dos anos 2000, mas quando usado hoje fica até deslocado (como os sustinhos que os “japoneses do mal” causam” – além dos navios completamente feitos em computação gráfica que parecem ter saído de um jogo da geração passada.

Além disso, assim como Lion, Até o Último Homem tem 2 “filmes”: o de antes da guerra e o durante. Ambos são ótimos, e estão no mesmo nível de qualidade que fazem o filme ser tão bom. O único problema nisso é que quando começa a parte de guerra, vários elementos importantes até então simplesmente desparecem, nos fazendo apenas perguntar “mas o que aconteceu com aqueles personagens de antes?”.

Mas, apesar desses problemas, o saldo de Até o Último Homem ainda é positivíssimo. É bom ver Mel Gibson de volta.

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La La Land: Cantando Estações (LA LA LAND, 2016)

Ah, La La Land…

O que falar desse filme que você não já tenha lido por aí?

Vou me contentar em falar que La La Land não é nem o melhor filme que está concorrendo. Seu roteiro em vários momentos incomoda, com diversas coincidências e atitudes tomadas apenas para conveniência do roteiro.

Mas, puta que pariu.

QUE FILME MÁGICO.

É incrível como esse filme te leva junto. Você está ali, vivendo aquilo que os personagens estão vivendo, acompanhando toda aquela magia, aquela musicalidade, aquele calor. Num ritmo gostoso e incrível que quando chega a seu clímax faz nosso coração sair pela boca.

Esse filme não é normal. E digo mais: é bom ver os musicais voltando aos grandes circuitos com um filme tão incrível.

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