CCXP 2016 e o Brasil Nerd

ccxp

Algumas palavrinhas sobre o maior evento geek do mundo, que fez história novamente.

#FoiÉpico.

O ônibus chegou sábado de manhã.

Era minha segunda vez no evento, e por isso já tinha uma ideia do que ia encontrar, o que, pra ser sincero, segurou um pouco minha ansiedade. Afinal, do mesmo jeito que eu sabia que encontraria alguns estandes incríveis, também sabia que encontraria filas enormes.

E não deu em outra.

Depois de horas de pé na fila, o evento começou. E eu estava preparado para enfrentar mais filas.

Pra esse evento, eu tinha armado uma abordagem diferente. Como ano passado já tinha focado em fazer as compras, esse ano decidi comprar tudo que eu queria primeiro e depois passar o resto do dia nos painéis.

Então entrei e fui direto pra Comix comprar algumas coisas. Saí e fui correndo pra JBC comprar outras. Nem olhei o evento direito e as 10 eu tava na fila do auditório Cinemark.

Ao meio dia começaria Moana, e logo depois do filme, o bate-papo com os diretores e a produtora do filme. Cheguei 2 horas antes, é o suficiente, né?

Errado. Fiquei de fora.

Então, tive que encarar uma decisão. Continuar na fila com a esperança de entrar? Ou sair pra aproveitar o evento?

E, depois, as 15 horas teria a sessão de autógrafos com o Nihei, sendo que as 15:30 começaria o painel do Frank Miller no auditório Ultra. Será que valeria a pena arriscar pra pegar o autógrafo?

As 13 eu saí da fila do Cinemark e fui correndo pro Ultra. A experiência no Cinemark me fez ver que o melhor era chegar o quanto antes pra ter a certeza de que eu veria o que eu quisesse. Então abri mão do autógrafo com o Nihei. “Ele é novo, há a chance de eu vê-lo outra vez, já o Frank Miller…”

Acabei chegando cedo demais, inclusive. E aqui, começam minhas experiências nos painéis do auditório Ultra durante a tarde.

Primeiro, acompanhei tudo da O2 filmes. Tivemos o trailer do documentário do Sepultura (que estava sendo feito à 7 anos), com direito a todos os membros da banda no palco (o que me pegou de surpresa, não fazia ideia de que eles estariam lá). Tivemos trailer o trailer do filme A Repartição do Tempo, comédia de ficção científica brasileira que conta com Dedé Santana no elenco e que distribuiu um quadrinho grátis à todos presentes). Além disso, tivemos também trailers de Comeback (um “western” brasileiro que parece BEM interessante, foi o que mais me chamou atenção ali) e Malasartes e o Duelo Contra a Morte (filme de fantasia brasileiro que parece bem promissor, além de já ser histórico por ser o filme brasileiro com mais efeitos em computação gráfico até o momento).

Logo depois, tivemos uma entrevista com o diretor da segunda parte do anime dos Cavaleiros do Zodíaco e produtor de outros animes da franquia. Foi uma entrevista bem interessante (apesar de eu não ser fã de CDZ) e ele deu algumas novidades exclusivas, como uma série em computação gráfica que está por vir, um filme novo, e outras coisas. Mas falarei mais sobre a presença dele daqui a pouco.

E então, tivemos o tão esperado painel com Frank Miller. Junto a ele, Rafael Grampá e Paul Pope. Foi um papo interessantíssimo e muito divertido sobre a linguagem da arte sequencial (apesar de servir também pra vermos o quanto o mangá ainda é visto como gênero e não como linguagem).

(E ah, só pra constar: EU ESBARREI COM O FRANK MILLER ENQUANTO CORRIA PRO AUDITÓRIO. Quase não acreditei na hora. O cara parece andar em câmera lenta, e tem uma aura ao redor dele inexplicável)

Logo após, teve um painel sobre acessibilidade e comunicação dos games com pessoas autistas, com participação do Marcos Mion e de um jornalista do The Guardian que não me lembro o nome agora. Interessante, mas pra ser sincero usei esse painel pra dar uma descansada (leia-se: cochilei. Qualé, não é fácil passar o dia inteiro no evento depois de passar as últimas 12 horas num Ônibus).

E então, tivemos o painel com Tsutomu Nihei e o editor da revista mangá que ele publicará e o produtor do anime de Knights of Sidonia e do filme animado de Blame! que estreará ano que vem no Netflix.

Foi bem interessante ver todas essas pessoas de um país do outro lado do mundo dispostas a estar aqui, num país tão diferente, mas dispostas a fazer o público feliz, com todos trazendo material inédito para nós (como por exemplo 1 minuto e meio inéditos do filme de Blame! que ainda nem estão 100% editados).

E é com isso que eu inicio o principal tema desse texto: o quanto o Brasil é, por incrível que pareça, um país ótimo.

Eu não sou sociólogo nem antropólogo cultural pra afirmar nada, mas é fato que o público brasileiro recebe quem admira com muito, mas muito carinho. E a situação está cada vez mais tendendo a se equilibrar entre a admiração pelo internacional e pelo nacional, o que é muito, mas muito bom. Já escrevi sobre isso no meu texto do ano passado, mas repito aqui: o cenário brasileiro está aumentando cada vez mais e mais, e sem um público para apoiá-lo, ele não vai pra frente (afinal, é fácil falar que “o Brasil não tem nada” se o que tem as pessoas nem vão atrás). E que fique claro uma coisa: não estou dizendo que tudo feito por brasileiros seja amado, por mais merda que seja. E sim que haja uma “pesquisa”, uma noção do que temos disponível por enquanto. Por mais que a qualidade de alguns possa não seja tão boa (repito: DE ALGUNS), é com nosso feedback que os nossos artistas poderão melhorar cada vez mais.

Pode ser, sim, que por sermos um país tão alheio a essas coisas, recebamos esses convidados e materiais com um calor maior por não ser nosso comum; mas enquanto os convidados disserem que nunca visitaram nenhum país como o Brasil, então por favor, que continue assim.

E é nisso que começo a falar sobre o que me deixou mais feliz no evento: o Artists Alley.

Ocupando a área geograficamente central do evento, era impossível não andar por aí e dar de cara com o Artists Alley. E muito maior, mais bonito e mais bem feito do que ano passado.

Diversos convidados, e não só brasileiros, estavam ali para divulgar sua arte, seu trabalho duro. E o melhor de tudo: todos estavam ocupadíssimos autografando, vendendo e conversando.

E nisso podemos ver o cerne do que é os próprios artistas internacionais que tanto admiramos. Pessoas assim como nós, mas que também começaram sentados numa mesa conversando sobre suas ideias com um outro alguém.

É um evento cansativo, fisicamente. Mas ver tantos sorrisos, tantas emoções, faz tudo valer a pena.

Que a Comic-Con Experience cresça cada vez mais. Que o público brasileiro cresça cada vez mais.

Quem sai ganhando somos eu e você.

E que da próxima vez, quem sabe não dê pra ir nos 4 dias.

Parabéns a todos os envolvidos e até a próxima!

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