Class – Episódio 7

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A guerra também precisa de descanso.

Já vou começar dizendo que Katherine Kelly (sim, dessa vez me dei ao trabalho de pesquisar os nomes) é uma ÓTIMA atriz. As nuances  de atuação que ela consegue dar na personalidade de uma personagem que poderia facilmente sobreviver só na base da ironia e de ser “fodona” dão à Srta. Quill uma profundidade que não se espera numa série “pequena” como Class.

The Metaphysical Engine… Or What Quill Did (um ótimo nome, pra começo de conversa), tem o mesmo início do  episódio anterior, com Quill levando Charlie à sala de detenção com os outros personagens. O que acontece daqui pra frente é uma sequência de acontecimentos que levam ao final do episódio anterior (repetido nesse, mas do ponto de vista da Quill).

Há uma grande temática norteando o episódio que envolve a crença. Desde elementos mais sutis como a motivação e construção das personalidades de Quill e do personagem novo (exclusivo do episódio) que envolve a guerra e o dever de um solado, até a explicação que envolve como a máquina que eles usam para viajar funciona, passando inclusive por uma discussão religiosa no meio do episódio. E é nisso que o episódio mais ganha: em toda sua execução, temos momentos que põe as crenças dos personagens em conflito, e não tem nada mais pesado do que atingir o cerne das atitudes de alguém.

No fim das contas, a trama que envolve a missão para tirar o alien da cabeça de Quill, objetivamente falando, nem é relevante. “Ah, é só irmos a tais lugares, conseguirmos tais coisas e pronto, fechou”. O que importa aqui é o que cada lugar traz de reflexão para os personagens, e principalmente para Quill.

Ela não tem aquela construção clichê da personagem que começa durona mas tem o coração amolecido pela amizade dos protagonistas. Quill não é “má”, mas é uma soldada que viveu uma vida super rígida baseada em costumes do seu povo e que durante todo esse tempo teve que abrir mão de seus princípios para viver submissa a alguém que ela odeia. Ou melhor, que representa o que ela odeia. E nesse episódio temos isso claro; ela não quer tirar o animal da cabeça para simplesmente poder usar armas de novo e matar Charlie; ela quer o que qualquer ser vivo quer, o desejo primário: liberdade.

Como sempre, nem tudo são flores. O episódio é dirigido pelo mesmo diretor da semana passada, que não compromete nessa semana com seus experimentalismos como fez no episódio anterior, mas que peca em alguns problemas de ritmo, principalmente na parte final, que apesar de ser tematicamente riquíssima, senti que teve a execução mais fraca do episódio inteiro.

(Aliás, vocês repararam o quanto esses dois últimos episódios tiveram alguns problemas de edição? No passado, tivemos uma cena em que a cada corte o Matteusz tava numa pose diferente. Nesse, tivemos a cena gore do episódio em que o áudio não condizia com o visual. Normalmente esse tipo de coisa é mais imperceptível, mas esses dois exemplos foram meio gritantes e isso compromete a qualidade do episódio)

Enfim, agora é esperar até semana que vem, com o último episódio (que ao contrário do que eu pensava, parece que não vai ter tanta ligação com essa sequência de episódios e sim com a trama dos Shadowkin). Que, aliás, sairá junto também com o último episódio de Westworld, que pretendo fazer um texto sobre a primeira temporada em breve.

E aí, gostou do episódio?

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