Animais Fantásticos e Onde Habitam (SEM Spoilers)

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Um retorno de alto nível para uma das franquias mais lucrativas da história.

Vou ser sincero pra vocês: nunca liguei muito pra Harry Potter.

Assisti todos os filmes conforme fui crescendo, li o sexto e sétimo livros e acho que desde o quarto to assistindo todos no cinema, mas nunca fui “fã”. Tanto que nem lembro direito do universo, dos acontecimentos nem nada do tipo. No fim das contas, nunca me atraiu tanto (aliás, tenho a mesma experiência com todo o universo Tolkien e Star Wars. Sei lá, acho que meu lado “hipster” subconsciente me faz não ligar tanto pra essas obras mais famosas).

Dito isso, não estava particularmente animado para Animais Fantásticos. Não que eu achasse que o filme fosse ser ruim (ao menos visualmente ele sempre me pareceu ótimo), mas por não ter esse amor pelo universo e pelos trailers não terem me atraído tanto eu preferi esperar por algum torrent ou algo do tipo.

Mas aí surgiu a oportunidade de ir e, bem, por que não?

Animais Fantásticos tem a árdua tarefa de trazer os milhões de Harry Potter novamente enquanto conta uma história nova que consiga gerar uma franquia e sem se distanciar muito do universo da série mãe.

E devo dizer que nisso, o filme acerta brilhantemente.

Com uma identidade própria mas sem sair do mesmo universo que estamos acostumados, Animais Fantásticos consegue ter a classe de não depender de quase nada da série original além de uma ou outra pequena referência verbal (o que é ótimo, visto que estamos vivendo no cinema uma época em que os blockbusters de franquia apenas refazem o que já foi feito com uma roupagem nova (como Star Wars ou Independence Day – constando que estou apenas constatando isso, e não dizendo que isso torna esses filmes ruins)). Para o bem ou para o mal, é um filme que se sustenta sozinho, e usa o fanservice oriundo de Harry Potter apenas para lembrar ao público uma ou outra vez que “hey, é o mesmo universo!”.

Mas então, vou falar primeiro dos (vários) defeitos do filme, pois se eu os deixasse para o final ficaria a impressão de que o saldo foi negativo.

Primeiro de tudo que esse filme prova o quanto David Yates é um péssimo diretor. Visualmente o cara é ok, e as cenas de tensão conseguem ser bem assustadoras, mas fora isso, tem que ser ou o roteiro ou as atuações para que algumas cenas não sejam simplesmente lastimáveis. O tom do filme é completamente indefinido, em que algumas cenas cômicas acabam tendo um PÉSSIMO timing cômico e se seguem de cenas sérias que parecem estar desconexas do filme.

O que me leva ao principal defeito de Animais Fantásticos: a incoesão.

Parece que a ideia inicial de se fazer um spin-off de Harry Potter foi tão urgente que não deu tempo da JK Rowling (que assina o roteiro do filme) conseguir decidir o que queria contar ali. É um filme sobre Newt Scamander correndo atrás dos animais que fugiram de sua Tardis, digo, mala? Sim. É um filme sobre o Ministério da Magia americano tentando deter um perigo desconhecido? Também. Mas acontece que os dois fatos quase – e repito, QUASE não tem ligação. Tanto que numa cena temos um momento super divertido do quarteto de protagonistas (com uma ótima química, exceto pela loira, irmã de Tina, que não tinha por quê estar ali) tentando capturar um dos animais mas que é tão desconexo do resto que nem consigo me lembrar o que se segue dali ou o que vem antes. Falta unidade na história, e isso prejudica muito nosso envolvimento como espectadores.

Além de que, toda trama do vilão e da ameaça do filme é bem, mas bem boba. O ruim é que falar disso envolveria citar detalhes da trama, então vou me conter em dizer que toda a ameaça acaba sendo sem motivação, nos fazendo ter que esperar por um futuro filme que explore isso melhor.

Agora, quanto aos prós, Animais Fantásticos consegue ser um filme bem maduro se considerarmos seu público alvo. Não que seja novidade termos blockbusters de ação maduros (esse ano mesmo já foram 2, ou melhor, 3, se contar A Chegada (que ainda não assisti)), mas o filme trata alguns temas com uma sutileza de dar inveja, como por exemplo a cena que envolve pena de morte (que é, digamos, “psicológicamente” pesadíssima para um blockbuster desse nível).

E aliás, aproveitando que citei a sutileza, essa palavrinha acaba sendo o maior trunfo do filme.

Sendo a fantasia um gênero que sempre vai envolver um mundo ou um conceito novo que o público não conhece, sofremos muito hoje em dia dos tais diálogos expositivos. Você sabe: um personagem que entende como aquele universo funciona explica, detalhe por detalhe, para um personagem que é novo naquilo. E apesar de Animais Fantásticos atender à essa regra com personagens que cabem nesses dois, digamos, arquétipos, ele usa muito pouco desse artifício, recorrendo muito mais ao mostrar e não falar. São vários os momentos em que magias e conceitos estão acontecendo e sendo usados na nossa frente e em nenhum momento os personagens param pra explicar, o que é ótimo. Não precisamos entender, por exemplo, como uma magia de ataque funciona. É só ver alguém a usando para atacar outro alguém.

E as atuações também estão um show, mas aqui abro uma exceção para falar novamente mal da personagem Queenie, irmã da Tina. Nada contra a atriz particularmente falando; limitada, sim, mas o próprio papel já o é, então não há muito o que fazer. Queenie não tem carisma, não tem objetivo. E com a exceção de uma cena perto da metade do filme em que ela é realmente útil, o filme todo poderia ocorrer muito bem sem ela.

Mas, por outro lado, todos os outros personagens são interessantes. Até Jacob, que achei que só serviria pras piadas de gordo, consegue roubar a cena.

Enfim, Animais Fantásticos e Onde Habitam conseguiu ser um filme único, que está longe de ser perfeito mas consegue ser muito acima da média com suas qualidades muito bem executadas.

Que venham os próximos filmes.

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2 comentários sobre “Animais Fantásticos e Onde Habitam (SEM Spoilers)

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