Class – Episódio 6

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E estamos entrando na reta final da série com um episódio bem experimental.

Temos aqui um esquema de história em que os personagens estão presos num lugar. Já deve vir à sua cabeça dezenas de outras histórias nesse formato, e o que acontece aqui, no cosmo dos personagens, não é diferente. Ficções de pessoas presas num lugar tem um caminho comum que seguem que sempre tem o potencial de gerar ótimos momentos.

Se formos considerar o que eu disse até agora sobre as habilidades de roteiro de Patrick Ness, em que ele brilha muito mais nas relações e desenvolvimentos dos personagens do que em criar uma ameaça em si, ele acertou em cheio ao fazer a ameaça ser uma escada para explorar ainda mais as ditas relações e desenvolvimentos.

Os 5 estão presos na sala de aula que está num vácuo temporal e espacial, e o “meteoro” que causou isso se alimenta com confissões feitas por eles. Mas, como não poderia deixar de ser, essas confissões trazem consequências para o relacionamento dos personagens.

O clima de tensão acaba sendo potencializado pela direção do episódio. Num ambiente fechado, sem muitas oportunidades para planos abertos, o diretor brinca com o espaço. Quanto mais tensa a situação, mais closes são feitos nos atores, gerando um clima claustrofóbico e usando de efeitos bem autorais para aumentar tudo isso. Podem acabar sendo controversos os experimentalismos direcionais por tornar o episódio um tanto quanto “autoral” demais, talvez, mas que ajudou para construir a estranheza da situação, isso é fato.

Agora, Ness tem um dedo muito bom para saber o que fazer com seus personagens. Charlie, um personagem que até agora estava bem plano, com conflitos “grandes” demais para o cosmo em que a série brilha, tem ótimos momentos nesse episódio. Entendemos o que ele sente, como se sente e o que os outros pensam dele ali. Aliás, não só dele; o momento entre Ram e April, que eu diria ser até decisivo para a relação dos dois, ou como Tanya se sente naquele meio.

Até Matteusz, um personagem que parecia ser apenas um secundário, tem cada vez mais destaque, podendo facilmente ser considerado uns dos protagonistas.

Porém, como não poderia deixar de ser, o episódio tem seus defeitos.

A própria direção, que tanto elogiei, erra em dirigir seus atores. Ram está se tornando cada vez mais uma caricatura de si mesmo, cheio de expressões exageradas e momentos incongruentes com o que vimos do personagem até então; Tanya, coitada, está brilhando cada vez menos, sendo que seus momentos no episódio são os menos interessantes; e Matteusz, apesar de ter um carisma que o ator do Ram não tem, consegue ser um ator tão ruim quanto (apesar de seu sotaque ser ótimo).

Outro problema também fica no ritmo do episódio. Temos vários altos e baixos narrativos. Toda hora, parece que tudo se resolve, para no momento seguinte tudo ruir de novo. Se trabalhado bem, poderia ter sido usado à favor da maluquice do episódio; porém, não é o que ocorre.

Apenas um adendo que quanto à Tanya, Ness precisa dar um jeito de inseri-la mais naquele meio. Sendo uma série em que a relação dos personagens é tão interessante, ver alguém tão alheia aos sentimentos ali é um tanto quanto decepcionante, ainda mais considerando que havia um grande potencial (como se por exemplo ela se fixasse na April como a única chance de amizade que ela poderia ter, ou algo assim).

Porém, April e Charlie estão ótimos. Entre o núcleo dos adolescentes, são facilmente os melhores atores.

Agora, uma coisa que o episódio trabalha muito bem é o conceito de amizade. Charlie, sendo novo no contexto humano, é muito ingênuo e literal ao que está acontecendo ali. Seu mundo desaba ao ouvir as confissões de seus amigos, mas seu sentimento por eles continua o mesmo. Porém, ele considera aquelas coisas ditas como o fim da relação entre eles, inclusive num momento de reconciliação dizendo “então voltamos a ser amigos?” ao qual Tanya responde “nós nunca deixamos”.

E, nisso, o episódio se constrói TOTALMENTE sem a Srta. Quill, que só faz uma pontinha no início e no fim. E, meus amigos, que fim.

Essa ideia de contar essas duas histórias (a desse episódio e a do próximo) interligadas foi muito boa para continuar a linha principal da temporada e concluir num finale que tornará a temporada muito coesa. No fim das contas, Class acabou não sendo tão episódica quanto sua série-mãe, o que pode ser um grande atrativo para o público que não gosta desse tipo de narrativa.

Enfim, que venha o próximo episódio mostrando a aventura de Quill enquanto esse episódio aconteceria. A dúvida que fica é se ela conseguirá levar o episódio nas costas sem o resto do elenco principal.

Bem, se ela usar o Capaldi como exemplo, ela consegue

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