Esquadrão Suicida – O bom, o inútil e o sem sentido

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Edição de videoclipe, tramas paralelas e personagens secundários que não acrescentam em nada e pela primeira vez carisma definem o novo filme da Warner/DC.

Parece que recentemente o termo “potencial desperdiçado” tem definido vários dos últimos blockbusters que assisti. De Batman Vs Superman à Independence Day: Ressurgimento, passando por Warcraft, todos esses filmes tinham um potencial gigantesco de serem filmes inovadores de algum modo, mas que acabaram optando por continuar numa certa zona de conforto e não arriscar.

E Esquadrão Suicida não foge à essa regra.

O filme de David Ayer claramente passou por mudanças ao longo de seu desenvolvimento. Quando vemos seu primeiro trailer e suas primeiras peças promocionais e comparamos com o que foi sendo lançado ao longo do tempo, a mudança chega a ser extrema: um filme nos já conhecidos tons de cinza e calcado na seriedade que se tornou algo colorido, bem-humorado e cheio de efeitos e filtros “alternativos”.

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Última imagem 300% verídica.

Não podemos afirmar nada com certeza absoluta com relação à isso, mas muitos atribuíram essa mudança à recepção negativa de Batman Vs Superman. É como se tivesse rolado o seguinte diálogo:

Executivo da Warner: Ayer, MEU FILHO, VEM CÁ.
David Ayer: O-oi, me chamou?
Executivo da Warner: Então, parece que as pessoas não gostaram da nossa abordagem rara e diferente em Batman Vs Superman, ENTÃO ABORTA ESSE FILME QUE VOCÊ TÁ FAZENDO.
Ayer: Mas senhor, o filme já tá quase pronto. Já até saiu trailer.
Executivo: Já?
Ayer: Sim, senhor. Já.
Executivo: …
Ayer: …
Executivo: …ENTÃO MUDA TUDO.
Ayer: O que?
Executivo: COLOCA HUMOR E DEIXA O FILME BEM COLORIDO.
Ayer: M-mas senhor, já filmamos quase tudo e-
Executivo: QUEM AQUI PAGA SEU SÁLARIO? *taca notas de 100 na cara do Ayer*
Ayer: …senhor.
Executivo: …o que foi?
Ayer: A recepção negativa pra Batman Vs Superman não foi por causa de problemas de roteiro e de coerência não?
Executivo: Roteiro?
Ayer: Aquele monte de folha cheio de letra que vocês tem que aprovar.
Executivo: Ah, eu achava que era só algum contrato.
Ayer: …
Executivo: É que eu nunca leio mesmo.
Ayer: …Eu vou precisar mesmo-
Executivo: MUDA LOGO O FILME. E QUANDO SAIR PEDE PRO MEU SECRETÁRIO TRAZER MAIS COCAÍNA.

Dito isso, vamos ao filme.

Esquadrão Suicida tem uma edição MUITO estranha. Os primeiros 20 minutos parecem mais clipes de TV promocionais do próprio filme. Imagens rápidas, uma edição super apressada, uns cortes todos estilosos (e que nunca mais aparecem no filme).

É como se todas as cores que o marketing do filme prometeu tivessem sido jogadas nesse começo e nos créditos finais.

Aliás, falando em marketing, o desse filme engana MUITO. Primeiro que nos faz pensar que a Magia fará parte do Esquadrão e que o Coringa será importante.

Nhe. Nenhum dos dois está certo.

Segundo que tem o Amarra. Digo, o AMARRA.

Mas não é como se alguém esperasse que ele fosse importante.

Nisso eu entro no que foi ao mesmo tempo a melhor e a pior coisa do filme: os personagens.

Melhor porque pela primeira vez nos filmes dessa “nova DC” nós nos importamos com os personagens, e isso é MUITO bom. Personalidades como as de Rick Flag e a do Pistoleiro (que inclusive tem uma relação interessante de amizade que surge entre os dois ao longo do filme), ou o arco dramático do Diablo (uma das melhores coisas do filme), ou até mesmo as nuances da Arlequina fazem o filme ser muito mais rico do que as outras histórias naquele universo foram até agora. Num roteiro fraco e numa direção estranha, as relações entre esses personagens consegue te manter no filme.

Porém, ao mesmo tempo que temos esse lado bom, temos um lado péssimo. Alguns personagens não se provam importantes ao longo do filme, o que fica incoerente e em alguns momentos incoeso com o que está sendo apresentado. Capitão Bumerangue, ao contrário do que muitos achava que seria um personagem engraçadíssimo, está simplesmente horrível, sendo um alívio cômico que não funciona e sendo um personagem que não tem motivo nenhum para estar ali.

Digo, no começo do filme Rick Flag sugere para Amanda Waller (que está incrível) que ele mesmo monte um time de soldados de elite. Ela recusa.

O filme quer nos convencer que um retardado mental com Bumerangues e uma ex-psicóloga sexy e com um taco de baseball são mais úteis que soldados treinados.

E voltando ao núcleo dos personagens, o Capitão Bumerangue tem umas cenas de destaque simplesmente horrorosas. Como numa cena em que no final dela ele foge e na cena seguinte ele volta. Por que?

O Crocodilo, por exemplo. O motivo dele estar ali é convincente. O personagem quase não tem falas, mas tem carisma e não atrapalha o andamento do filme como o Capitão Bumerangue faz.

E então, temos a Arlequina e o Coringa. Eu não vou ser injusto; como personagens, eu gostei sim, e bastante, dos dois. Margot Robbie e Jared Leto entenderam os personagens que eles tinham que ser e se entregaram perfeitamente. O problema é que tudo que envolve eles nada mais é do que uma trama paralela que não acrescente em nada ao filme.

Falando mais especificamente do Coringa. Apesar de uns trejeitos ridículos, como o sorriso na mão, arrumar as facas num círculo perfeito, dentre outras coisas, ele não me incomodou tanto. Em alguns momentos ele consegue ser bem aterrorizante e imprevisível. Mas ele não é NEM UM POUCO importante pro andamento do filme. A trama principal tá rolando, do Esquadrão tendo que impedir a Magia (“spoiler” – aspas porque isso é revelado aos 20 minutos de filme), e enquanto isso cena ou outra aparece o Coringa tentando salvar a Arlequina. Só.

Temos um Coringa apaixonado, coisa que eu nunca imaginei que veria. Mas tá tão jogado na trama do filme que você quer que aquilo acabe logo pra voltar à trama principal.

E lembra do que eu falei das incoerências do filme?

Luta final. A Magia está forte, e Arlequina acha que o Coringa, o Pudinzinho de sua vida, está morto. Ela descobre que Magia pode trazê-lo de volta. Que motivos ela teria para preferir seus “amigos” do que ressuscitar o amor da vida dela?

Digo, temos o Diablo, que no final do filme também trata o grupo como uma família e como as pessoas mais importantes pra ele naquele momento. Mas quando vemos conhecendo o personagem, seu passado, sua personalidade, vemos que é completamente possível ele se apegar àquelas pessoas, tão ruins e tão sofridas quanto ele.

Agora a Arlequina… Se apega porque… O roteiro precisa.

Afinal, na última cena de ação antes da luta final, no topo de um prédio, ela “trai” o Esquadrão pra fugir com seu Pudinzinho.

Então várias incongruências como essas te tiram do filme, mesmo com o carisma de alguns personagens te trazendo de volta.

E então, temos a cena final (que é ao mesmo um tempo um cliffhanger e uma conclusão pro arco da Arlequina e do Coringa) que eu pessoalmente acho péssima e o “mid-credits”, que é uma cena da Amanda Waller conversando com o Bruce Wayne que na realidade não traz nada de novo.

Então é isso. Um filme que não é tão ruim quanto estão dizendo, mas que tem falhas que te fazem sentir a sensação do dito potencial desperdiçado. É facilmente esquecível, mas não te faz sair do cinema bravo ou com uma sensação de dinheiro jogado fora.

(Aliás, eu realmente iria preferir se o vilão do filme fosse o Coringa e sua gangue. Seria muito mais interessante do que ver um cara com bumerangue tendo que derrotar uma deusa. Pelo menos a ação estaria nivelada.)

 

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Um comentário sobre “Esquadrão Suicida – O bom, o inútil e o sem sentido

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