Saga The Witcher – Parte 1

Meu nome é Geraldão da Riviera. Eu sou um bruxero.

E aí galera, aqui é o Darf e hoje vou falar um pouco sobre esta franquia que está em evidência desde o ano passado. Vou falar de The Witcher.

Primeiramente (bom dia/tarde/noite), vale avisar que o post é longo porque tem muita coisa para falar. E mesmo assim não falarei de tudo ainda, me atendo aos livros e ao primeiro jogo.

“Ah, mas não vai falar do The Witcher 3?”

Não. Ainda.

Acontece que o terceiro game da série é, bem, o terceiro. Ou seja, tem outros dois antes dele. E antes dos jogos, tem os livros. “Mas por que os livros?” você pergunta apontando uma espada de prata para mim como o monstro que sou ao não falar do terceiro game.

Porque os jogos são baseados no livro e não o contrário igual várias franquias descobriram ser muito rentável (olá Assassin’s Creed). E mais, porque os jogos se passam depois do final do último livro.

Então, por causa disso vamos falar hoje dos livros e do primeiro jogo. E sem mais delongas, vamos começar!

 

livro

Yo soy Geraldón de Riviera. Soy un brujero. Arriba!

A Saga do Bruxo Geralt de Rívia, como é chamada a coleção dos livros de The Witcher, é uma série de contos e romances de fantasia escritos pelo polonês Andrzej Sapkowski e publicados em oito livros. Eles contam a história do nosso já conhecido Geralt (Geraldão para os íntimos). Os livros começaram como contos publicados na revista polonesa Fantastyka em torno de 1980.

Dos oito livros, três são compilados de diversos contos. Esses contos servem para apresentar Geralt e o mundo de The Witcher para o leitor. É neles que nos é apresentado o bardo Dandelion (Jaskier, no original e na tradução brasileira), a feiticeira Yennefer e os famosos feitos de Geralt.

Os cinco livros restantes seguem uma história própria, que se passa depois de todos os contos. É neles que descobrimos sobre a rebelião dos inumanos, os Scoia’tael, e também sobre a guerra de Nilfgaard contra os reinos do Norte.

Não vou me alongar falando qual é a história, para evitar spoilers. Então vou falar sobre as características das histórias.

The Witcher nos apresenta um mundo de fantasia medieval mais puxado pro lado “low fantasy”, subgênero no qual se enquadra Game of Thrones. Mas, enquanto na obra prima de George R. R. Martin temos um verdadeiro banho de sangue de personagens, sejam eles principais ou secundários, e toda sorte de violência, sujeira e traição, em The Witcher temos um enfoque menor nessas coisas, embora estejam presentes. E é importante ressaltar que o livro bebe de várias lendas eslavas, sendo possível ver claras semelhanças de alguns personagens a personagens de contos de fadas clássicos, como Branca de Neve e Pequena Sereia. Claro que isso tudo num mundo mais “sujo” e mais “cruel”, dignos de um bom low fantasy.

Os livros dão mais atenção aos temas que levam ao banho de sangue, à sujeira e etc. Game of Thrones foca no que acontece, The Witcher no por que acontece. E digo por que no sentido filosófico.

Os dois temas principais das histórias em The Witcher são: preconceito/racismo e monstros.

Preconceito e racismo pois os humanos, que dominaram o mundo graças a sua adaptabilidade, menosprezam e tratam de forma muitas vezes cruel os inumanos.

E quem são os inumanos?

Spoiler: Não são esses.

Os inumanos são os elfos, anões, gnomos e todas as outras raças que estamos acostumados a ver em histórias de fantasia medieval. Mas aqui, ao contrário de como acontece em Senhor dos Anéis, os elfos estão ferrados. Perderam uma guerra contra os humanos quando estes chegaram ao continente e foram expulsos das cidades onde viviam. Os que ainda vivem entre os humanos vivem na maior parte das vezes em condições miseráveis. E isso vale para todos os inumanos que vivem em cidades humanas.

E isso afeta Geralt, pois como um bruxo (witcher, em inglês) ele é tratado como uma aberração, um mutante e algo que não é humano. Isso porque os bruxos passam por mutações para se tornarem mais fortes, mais resistentes, mais rápidos e serem capazes de lutar contra os monstros que caçam. Além de ser marginalizado pelas pessoas que protege, um bruxo é estéril. Ele sacrifica tudo para proteger as pessoas dos monstros que assolam no escuro.

Assim chegamos ao segundo tema: os monstros. Os livros nos apresentam a vários personagens de aspecto monstruoso, como lobisomens e vampiros. Note que eu disse aspecto monstruoso, pois nem sempre esses personagens são os vilões. Algo que gostei bastante foi a forma que Andrzej Sapkowski (boa sorte lendo esse nome) tratou o conceito de monstro. Afinal de contas, quem é o monstro? O homem que estupra uma mulher indefesa ou o vampiro que o mata para protege-la?

Exemplificando esta ideia temos as duas espadas que os bruxos usam. A de ferro para humanos e a de prata para monstros. Mas embora seja dito que elas sejam específicas, o próprio Geralt desmente isso em alguns momentos explicando que tem monstros que só são afetados por prata e tem monstros que só são afetados por ferro.

No final isso se resume a um diálogo que surge uma vez onde perguntam para Geralt sobre as espadas serem uma para homens e outra para monstros e ele responde:

“Ambas são para monstros.”

E com esse pensamento feliz, vamos agora falar sobre o game The Witcher 1.

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The Witcher 1 foi lançado em 2007, produzido pela CD Projekt RED e distribuído pela ATARI. Feito utilizando a engine Aurora da Bioware, inicialmente tinha-se o plano de lançar uma versão para consoles chamada The Witcher: Rise of the White Wolf em 2009 com uma engine diferente mas que acabou cancelado por problemas no pagamento com os desenvolvedores da versão de console, Widescreen Games. Se passando após os livros, começamos com Geralt acordando depois de ser encontrado muito ferido pelos outros bruxos. E sem memória de nada do que aconteceu, vulgo forma que a CD Projekt RED encontrou de não spoilar sobre os acontecimentos dos livros de cara.

A merda rola quando a fortaleza dos bruxos é atacada por um grupo misterioso chamado Salamandra, que rouba pergaminhos com segredos sobre as poções mutagênicas dos bruxos. Cabe então a Geralt caçar esse grupo e recuperar os segredos roubados.

A história tem uma premissa bem simples: roubaram a gente, pega os ladrão tudo e quebra eles na porrada. Mas embora tenha essa premissa inicial, acontece que em cada Capítulo do jogo (que é dividido em seis) temos de resolver o problema que ta pegando onde estamos.

Por exemplo, o capítulo 1 se passa em um vilarejo próximo a cidade de Vizima (onde a maior parte do jogo se passa, bem ao estilo da Kirkwall de Dragon Age 2) e os aldeões estão assustados pra cacete com a aparição de um monstro. Geralt deve investigar sobre as acusações que os aldeões tem de que uma feiticeira que mora próximo ao vilarejo é culpada pela aparição do monstro. E temos a escolha sobre quem vamos apoiar, os aldeões ou a feiticeira. Padrão RPGístico.

Um dos pontos altos da história para mim é encontrar a Dama do Lago, uma clara referência à personagem lendária de mesmo nome que presenteia o rei Arthur com a fucking Excalibur.

Um ponto baixo é que os vilões não foram tão bem explorados quanto poderiam, ficando aquele vilão maléfico com plano clichê de sempre. O que salvou isso foi o twist final do jogo com direito a uma escolha interessantíssima a se fazer.

Claro que como todo bom RPG, rola muita coisa além disso. Mas como não quero spoilar, joguem.

E para jogar, vamos falar sobre as mecânicas de gameplay.

Numa primeira observação, The Witcher 1 parece como qualquer RPG. Temos barra de vida, barra de mana, algumas magias (aqui chamadas de sinais) e poções.

As diferenças começam no sistema de poções. Os bruxos aprendem a confeccionar poções e elixires diversos. O jogo permite que essas poções sejam criadas através do sistema de alquimia. Bem simples de usar: você precisa ter uma base pra poção (tipo uma bebida alcóolica bem concentrada, por exemplo) e os ingredientes para ela (partes de monstros, ervas e etc). Outra coisa que diferencia The Witcher 1 dos outros RPG’s: poções podem te matar. Não estou falando de venenos, mas sim de que no mundo dos bruxos esses elixires são tóxicos e em excesso matam. Isso é representado por uma barra de toxicidade, que quando cheia te mata e quanto mais próxima de cheia estiver mais fraco você fica.

Outra diferença, que não é muito grande, se trata do sistema de meditação. É tipo o “sleep” do Elder Scrolls de forma geral. Para subir de nível, precisa meditar antes. Para fazer poções, tem que meditar. Simples.

Último, mas não menos importante: combate. O sistema de combate em The Witcher 1 é interessante, pois é inovador. Geralt tem três tipos de stances de combate: forte, ágil e grupal. Forte é eficiente contra oponentes de armadura e maiores, ágil contra ladinos e oponentes menores e grupal eficiente contra vários inimigos. O problema se dá que, embora simples e inovador, o combate é muito frustrante em vários momentos, principalmente ao lutar contra mais de um inimigo.

Mais ou menos como me senti em alguns momentos (O soldado abaixado embaixo da bunda do Geralt)

Várias vezes ao longo do jogo passei raiva pois após uma cutscene iniciava-se um combate, onde os inimigos já começavam atacando e não dava nem tempo de desembainhar a espada por causa dos stuns e de ser derrubado pelos golpes vindos de todos os lados. Nessas horas eu dependia da sorte de não ser stunnado ou derrubado por algum golpe e ter tempo de desembainhar a espada.

Mesmo com essa frustração no combate, ainda recomendo o jogo. A história faz valer a pena e o save pode ser importado para o The Witcher 2. E sobre The Witcher 2? Isso fica para quando eu terminar ele e o 3.

Ficou grande, mas espero que tenham gostado e que se interessem pelos livros e pelo primeiro jogo. E vai permitir um entendimento muito maior do que tá pegando nos outros dois games. No mais, é isso por hoje!

Ciao.

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