O Homem de Aço, de John Byrne!

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Meu primeiro encadernado da Eaglemoss com uma das histórias mais icônicas do personagem.

Não é segredo pra ninguém que o Superman é um dos meus personagens favoritos. E, como nunca acompanhei muito os formatos físicas, ver uma das minisséries mais aclamadas do personagem sendo lançada em capa dura pela Eaglemoss foi a oportunidade perfeita de compra para mim.

O ano era 1986, e a Crise Nas Infinitas Terras tinha acabado de acontecer. Os Multiversos por hora tinham encontrado seu fim, e os personagens estavam todos sendo reformulados (um pouco – e repito, um pouco – parecido com o que rolou nos Novos 52). Então, o grande medalhão da editora ficou nas mãos de um então na época não tão conhecido John Byrne, que além de acabar sendo responsável pelos títulos Superman e Action Comics, lançou a minissérie em 6 edições The Man Of Steel, compilada no encadernado aqui revisado, contendo uma reformulação para a origem do herói e seus primeiros anos.

Aliás, o encadernado também contem a primeira história do herói na Action Comics #1, de 1938.

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Byrne traz com sutileza tudo o que o “S” no peito do herói significa. Não temos necessariamente aquele personagem escoteirão; Clark aqui é super bem humorado,  e em alguns momentos pontuais é irônico e sarcástico. Mas sua bússola moral continua a mesma: ele está ali pelo bem dos outros, e não dele.

Isso é muito bem explicitado na atitude de Clark de fazer de tudo para que seu rosto não seja reconhecido enquanto estiver como Superman. Clark Kent quer salvar as pessoas e não quer nem um pouco de crédito com isso. Tanto que no único momento em que recebe, no primeiro capítulo, ele vai até a casa de seus pais pedir por conselhos, depois de ficar aterrorizado com a reação das pessoas perante seus poderes.

Nesta minissérie foram trazidos alguns conceitos reutilizados até hoje na cronologia do herói que nunca haviam sido utilizados até então. Pela primeira vez, Jonathan Kent não morre antes de Clark virar herói, podendo ver as façanhas do filho; pela primeira vez, Krypton é mostrada com esse enfoque (aliás, o capítulo introdutório em Krypton é praticamente o storyboard dos minutos iniciais de Homem de Aço do Zack Snyder – que seria um filme muito melhor se simplesmente adaptasse essa história); pela primeira vez, Lex Luthor é um empresário magnata e não um cientista do mal; além de várias outras coisas.

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Infelizmente, a história não é perfeita.

Sinto uma certa falta de coesão ao longo dos 6 capítulos; é algo muito episódico, e não há conclusão para alguns detalhes apresentados e que poderiam ter uma conclusão. E, por exemplo, o capítulo 5 poderia facilmente ficar de fora que não causaria tanto impacto.

Mas, na real, o que mais me incomodou foi a falta de conclusão para algo que poderia se tornar um arco interessante, que é um homem que vigia Clark desde o primeiro capítulo mas que terminamos a história sem fazer a MÍNIMA ideia de quem ele é.

Vêem aquele homem escondido na garagem na icônica imagem abaixo? Então. E ele aparece em alguns outros momentos, escondido, mas não fazemos ideia de quem ele é.

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Mas bem, fora isso, é uma história que vale muito a leitura.

O Superman, ao contrário do que parece, é um personagem MUITO complexo. Já discutimos um pouco sobre ele e seu arquétipo no ChatCast sobre o personagem e a filosofia que o cerca, mas sempre há espaço para discuti-lo. Ainda mais quando o artista que está trabalhando com ele pode acertar tanto, como no caso de Byrne e de Richard Donner no primeiro filme de 1978, ou errar tanto.

Fora o citado capítulo 5 (que, ainda assim, é um bom capítulo), todos os outros são incrivelmente bem feitos. Destaque para o capítulo com o Batman, que, apesar do plot ser “tanto faz” (ah, uma ladra que rouba bancos e que o Super e o Batman se unem para pegá-la, uau), trabalha de maneira impecável a dicotomia entre os dois personagens; e para o capítulo final, que apesar de falhar um pouco como “clímax” para a minissérie (que acredito que não foi pensada como uma minissérie e sim como uma introdução para a fase de Byrne no título do herói) por não trazer uma conclusão há alguns elementos apresentados, traz uma bela conclusão para o crescimento do personagem e de quem ele é, principalmente em sua bela página final.

Quanto a edição da Eaglemoss… Fora uma fala de Jonathan Kent fora do balão no capítulo 1, está perfeita. Principalmente por trazer junto a primeira história publicada do personagem, nos fazendo refletir sobre como os valores mudaram da época em que foi publicado até 1986, e, principalmente, até hoje.

Enfim, vale a leitura, principalmente se você quiser entender quem é Clark Kent.

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