Faith No More – Sol Invictus

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17 ANOS DE ESPERA, PORRA!

Faith No More figura facilmente no top 3 de bandas que eu >amo<. E aqui, “amo” num sentido bem bobo, mesmo. Junto à Alkaline Trio e Deep Purple, eu sou com essas bandas o que eu acho desnecessário ser; isto é, sei o nome de todos os integrantes, atuais ou não; ordem, nome e ano de lançamento de todos os álbuns, músicas e etc; quase todas as letras de decor e aí vai.

Porém, apenas com Alkaline Trio eu sei a “biografia” (e com isso eu quero dizer as informações e as músicas, e não a biografia em si) inteira. Com Deep Purple e Faith No More eu tendo a esquecer as fases pré-In Rock e pré-Mike Patton, respectivamente. Não que eu acho elas ruins, longe disso na verdade – músicas como April e Wring That Neck do Deep Purple e Introduce Yourself, As The Worm Turns e, claro, We Care a Lot do Faith No More são inclusive melhores que muitas músicas posteriores. Mas é só que tendo a me focar nas fases posteriores, por sentir uma atração maior por elas.

O problema é que com Faith No More era complicado. Apesar de algumas músicas soltas pra lá e pra cá, são basicamente apenas 4 álbuns de estúdio e 1 ao vivo para apreciar a formação com Patton nos vocais (apesar do guitarrista mudar sempre, uns 4 passaram pela banda durante essa fase).

E, depois de Album Of The Year, a banda parou. Apenas depois de mais de 10 anos, se não me engano, eles voltaram a fazer shows – e ÓTIMOS shows, diga-se de passagem (os do SWU e do Rock In Rio estão aí pra provar isso). Mas apenas ano passado lançaram um álbum novo, que por preguiça não tinha ouvido até o presente momento.

Aliás, a essa altura eu acredito que eu realmente não precise fazer uma introdução sobre o quanto essa banda é inventiva, experimental, esquizofrênica e genial. Se você não souber, vá ouvir Angel Dust e King For A Day, Fool For a Lifetime (único álbum que já vi que o “gênero” tá como “vários” na Wikipedia americana) e depois volte.

Sol Invictus – Os teclados de Roddy Bottum iniciam a faixa emulando um piano, quando a voz sóbria de Patton entra, quase assustadora. Uma faixa bem soturna, com uma ótima letra sobre iconoclastia e fé. A faixa não chega a empolgar tanto, e pode ser considerado uma “introdução longa demais”, mas tem seu brilho. Nota 7/10.

Superhero – Puta que pariu, que música! Chegando com tudo, Superhero é a primeira porrada do álbum, totalmente esquizofrênica e alternando entre momentos de total loucura com momentos mais melódicos, meio “árabes” (?) mas sem deixar o clima cair. Com uma letra que me parece ser sobre narcisismo, o único defeito da faixa é ser longa demais. Digo, não que 5 minutos sejam uma eternidade; mas do meio pro final a música se repete demais. Mas nada muito grave. Nota 8,5/10.

Sunny Side Up – Primeiro clipe feito para o álbum, Sunny Side Up engana com seus versos swingados e bonitinhos contendo um refrão bem barulhento e roqueiro, com direito a Mike Patton gritando o nome da música como um louco. Um clipe bem divertido, apesar de não conter a banda, para uma música que te deixa com um sorriso no rosto. Nota 9/10.

Separation Anxiety – Segundo clipe do álbum, Separation Anxiety é uma música bem soturna, que me lembra o trabalho de Patton no Fantômas, ainda mais com o clipe (que usa cenas do filme de terror Dementia, dos anos 50). Ela tem um crescente fantástico e uma melodia ótima. Nota 8,5/10.

Cone of Shame – Essa música tinha cara de ser a música mais “sóbria” do álbum, como Ashes to Ashes foi no Album Of the Year e Ricochet foi em King for a Day. Porém, no meio pro final, a música ganha um peso completamente diferente do visto até então (que se resumia a uma guitarra meio country acompanhada dos outros instrumentos bem de leve), e, no trechinho final, fica completamente maluca. Um pouco mais fraca que as anteriores, mas ainda ótima. Nota 7,5/10.

Rise of the Fall – Por hora, a faixa mais experimental do álbum. Transitando entre uma melodia que me lembra música clássica italiana (no qual Patton já trabalhou em seu álbum solo Mondo Cane) e um peso esquizofrênico, é por hora a melhor faixa do álbum. Nota 9,5/10.

Black Friday – Como o próprio nome diz, com uma letra fantástica sobre consumismo, Black Friday se revela tão boa ou até melhor que a antecessora. Faith No More é uma das bandas que melhor domina a mudança de ritmo. Digo, olhe esse refrão! Uma loucura pesadíssima no “BUY ITTTTTTTTTTT” que volta para o violão que permeia a melodia da canção super naturalmente. Nota 9,5/10.

Motherfucker – Primeira canção que ouvi do álbum e também primeiro single, Motherfucker volta com os raps de outrora, e dessa vez cantados por ninguém menos que o tecladista Roddy Bottum. Novamente vemos o quanto a banda é fantástica em sua mistura de gêneros, contendo um rap com base no piano em seus versos com um refrão voltado para o soul e um final voltado ao metal. Porém, depois das duas faixas anteriores, a faixa perde um pouco do brilho. Nota 8/10.

Matador – Primeira música tocada pela banda (se não me engano, tocaram ela pela primeira vez no SWU lá de 2011) do álbum, e também a música mais longa do álbum, Matador é uma faixa completamente imersiva. Com um clima meio “filme de terror” com uma pitada de sarcasmo, a faixa te encanta ao longo de seus 6 minutos. Nota 8/10.

From The Dead – A última faixa é a única “balada”. Entre aspas porque ainda assim é uma música bem alegre, acústica, e com uma letra que, vista de um ponto de vista mais positivo, pode ter a ver com o retorno da banda. Mas nada que chame muita atenção. Nota 7/10.

No fim das contas, Sol Invictus é um dos melhores retornos que já vi para uma banda há tanto tempo parada. Apesar de sua primeira e última faixa serem medianas (mas tendendo pro lado bom), tudo entre elas é de altíssima qualidade, não deixando seu interesse cair em nenhum momento.

Simplesmente, vale cada segundo.

Faith No More, não demore tanto da próxima vez.

Nota: 8,5.

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