Post do Leitor #5 -La Vie d’Adèle (Azul é a Cor mais Quente)

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Texto escrito pelo leitor Douglas Ookami.

La vie d’Adèle (A Vida de Adèle) é um filme francês de 2013, escrito e dirigido por Abdellatif Kechiche. O filme de La vie d’Adèle (Azul É a Cor Mais Quente, título brasileiro) é baseado em uma graphic novel (histórias em quadrinhos de longa duração) de mesmo nome, escrita por Julie Maroh no ano de 2010. O filme ganhou um prêmio relativamente importante no mesmo ano que foi lançado, a Palma de Ouro.

Adèle (Adèle Exarchopoulos) é uma jovem adolescente francesa introvertida que possui um grande gosto por literatura e por diversos tipos de música. Após uma aula de literatura sobre amor a primeira vista, a protagonista cruza na rua com uma garota de cabelos azul, Emma (Léa Seydoux), e se interessa por ela. Após esse evento, Adèle começa a se questionar sobre a própria sexualidade e fica cheia de dúvidas após experiências com um colega de classe e uma amiga da mesma classe. A partir disso, Adèle irá vivenciar uma série de conflitos amorosos e preconceituosos e amadurecer com tudo isso.

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Azul É a Cor Mais Quente (Blue is the Warmest Colour) é um filme que não parece ser um filme. Isso soou meio estranho, não é? Mas isso não é para ser uma frase de efeito aleatória ou nada do tipo. O slice of life da história foi construído e produzido de uma maneira que consegue passar uma naturalidade total da vida da personagem. Os diálogos entre as personagens, os gestos que elas fazem (por exemplo, quando elas estão comendo), as cenas, o sentimento e a relação de cada personagem, parece ser algo que realmente acontece entre pessoas. O enredo e a produção do filme foram tão bem feitos que deixou a impressão que o espectador estava invisível e vivenciava todas as situações da vida de Adèle que aconteceram. Embora o filme tenha uma duração de três horas, em nenhum momento ele passa a ideia de que está enrolando, parado. Particularmente, não senti sono assistindo-o.

A questão do tempo é algo bem interessante que me deixou intrigado com outra coisa (mais adiante, irei comentar). Aquelas três horas foram algo que valeu a pena ter assistido. A duração do filme, relativamente longa, é algo extremamente funcional. Por causa dele, você consegue se conectar com a protagonista, perceber as grandes e mínimas mudanças nela, entender o que ela está pensando e sentindo (sem nem ao menos ter aqueles momentos em você vê o que a personagem está pensando) e “entrar” na vida dela. Ou seja, o filme consegue fazer você gostar da protagonista, o que é algo muito importante para um enredo. Exemplo disso, temos as festas que aconteceram. Foi algo que teve uma duração um pouco maior que as outras coisas, mas que serviu para mostrar como a Adèle estava se sentindo com aquilo; posteriormente, foi um fator para causar conflito entre ela e Emma.  Provavelmente, se o tempo do filme fosse menor (duas horas, média padrão dos filmes) não iria ser muito funcional.

A produção e direção ajudaram perfeitamente no andamento da história e aumentaram a naturalidade do slice of life. Primeiramente, os diálogos entre a Adèle e as suas amigas te convencem que é algo que colegas de classe conversariam. Até mesmo a forma e as palavras que elas usam. As conversas e os jantares familiares passaram aquela tensão de você forçar um papo para a mesa de jantar não ficar no silêncio. A conversa que teve no ônibus entre Adèle e o garoto também passou a ideia de “por favor, não deixe o assunto morrer”.  A relação da personagem principal com a Emma foi outra coisa que passou uma noção de naturalidade. A forma como elas se conheceram, os primeiros diálogos entre elas onde ambas tentam conhecer uma a outra, etc.

A atuação das personagens foi algo excepcional também, principalmente para a personagem Adèle. Você consegue sentir o que ela está pensando e sentindo pelos pequenos gestos, como a cena dela na janela batendo o dedo e fumando, você consegue sentir a dor dela de ter perdido a Emma. Ainda sobre a produção e a atuação, as cenas de sexo não foram somente fanservice alheio. Elas tiveram um papel muito importante na história. A primeira cena que teve (Adèle com o garoto) mostrou pelas expressões faciais que ela não estava gostando realmente daquilo. Já as cenas que dela com o seu interesse romântico passaram o sentimento de prazer. Até mesmo a “experiência” que Adèle ganhou se relacionando com Emma a direção conseguiu passar. Percebemos isso, por mais engraçado ou estranho que isso soe, pelos orgasmos e gemidos de cada uma (é sério isso). São esses mínimos detalhes que enriqueceram mais o filme.

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Além de o filme ter uma direção e produção muito boa, a história do roteiro é sensacional. Adèle fica cheia de dúvidas quando os olhos dela cruzam os de Emma na rua. E ela fica com mais dúvida ainda após a cena em que ela se masturba pra Emma que, até aquele dado momento, era uma pessoa totalmente estranha. Adèle começa a se “testar” para saber a sua própria identidade sexual. Primeiramente, ela sai com o garoto que estava a fim dela. Aparentemente, ela acaba não gostando muito de ter relações sexuais com ele, ou seja, a dúvida de ser homossexual ou bi aumenta. Após isso, ela tenta algo com uma colega de classe e as dúvidas começam a clarear-se. Por fim, ela encontra Emma e se relaciona com ela. Com isso, ela descobre que não é heterossexual. Acompanhado disso, tem o preconceito por parte das amigas dela e a vergonha e medo de seus pais saberem que ela está namorando com uma mulher.

Outra coisa interessante é à entrada dela em um novo universo. Antes, ela frequentava somente a escola, protestos estudantis e ficava lendo seus livros. Porém, após se relacionar com Emma, ela experimenta novas coisas, como a Parada Gay e museus de arte. A parte dos hobbies é uma coisa interessante. O par romântico de Adèle tenta puxar ela pra um universo mais profundo da arte, posar para seus desenhos e tentar a fazer escrever história. Ou seja, ela tenta acrescentar algo a mais na relação, o que é uma cosia bem natural fazer coisas que você gosta com quem você ama. Essa experiência com um novo universo também serviu como “preparação de terreno” para o conflito o amoroso. A protagonista começou a sentir-se isolada e sozinha. Isso é mostrado nas festas, onde ela tenta buscar ouras pessoas para conversar para tentar amenizar aquele sentimento. Isso leva a personagem principal a cometer traição por um bom tempo, o que leva o rompimento do relacionamento entre Adèle e Emma. A partir do momento que o relacionamento é rompido e o tempo passa, Adèle percebe que cometeu uma idiotice e tenta consertar as coisas. Percebemos um amadurecimento nela, já que ela prometeu comprometer-se seriamente se fosse dada uma nova chance. Porém, como o filme segue uma linha natural, isso não acontece.

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Bem… La vie d’Adèle é um filme sensacional, em todos os seus aspectos. No decorrer da história, o espectador consegue se conectar com as personagens e acaba ficando triste com o desfecho do filme e aquela cena final. Três coisas que me chamaram a atenção depois que acabei o filme foram: os diálogos sobre a história da literatura, o título que veio para cá (Brasil) e a nota na Netflix. O filme tem todo um background que cita atores de períodos históricos da literatura e o diálogo que ocorreu na festa foi basicamente esse. Não sou um grande conhecedor da história da literatura, mas talvez, isso tenha algum sentido para algum tipo de mensagem a história. Também tem o fato de o filme fazer referência aos protestos estudantis que aconteceram na França e, se não me engano, foram na mesma época que o filme foi lançado. Sobre o título brasileiro/inglês, eu achei bem interessante em tratar a cor azul como a mais quente, já que ela passa uma ideia de frieza (podemos conectar com o fato do rompimento da relação delas) e, obviamente, faz referência aos cabelos de Emma.

O terceiro ponto me deixou um pouco incomodado. A nota que ele tem na Netflix é bem baixa, somente duas estrelas. O filme é realmente sensacional, não enxerguei nenhum defeito nele. Até pensei sobre isso, e cheguei a conclusão que o motivo dessa nota seja ou pelo fato de três horas e terem achado enrolado ou pelo fato de terem ficado com incomodados com as cenas de sexo lésbicos ou de terem pensando que a proposta do filme fosse outra. Só queria compartilhar esse pensamento com vocês, leitores (risos).

A Cor Azul É a Mais Forte é um filme que realmente gostei e gostaria que vocês, caros leitores, assistissem também. Bem… eu recomendo assistirem!

Se você também quiser mandar um texto pra gente, é só entrar em contato no chatsupremo@hotmail.com!

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