Relicário HQ, de Dharilya Sales e Pedro Leonelli

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E continuando com os posts de análise de Quadrinhos Nacionais com fotos de merda tiradas por mim, hoje trago a vocês Relicário HQ!

Relicário é um projeto em quadrinhos realizado pelo casal Pedro e Dharilya que se fez graças a uma arrecadação pelo Catarse (como já tinha sido anunciado por aqui) que contou com o apoio de muitos sites da blogosfera de quadrinhos brasileira.

A ideia é de uma coletânea com duas histórias, uma por Pedro e outra por Dharilya, que ao mesmo tempo que carregam com si os traços maravilhosos de ambos, trazem mensagens, subtextos e analogias sobre desejos, sonhos e várias outras questões mais existenciais (um pouco escancaradas demais, até, mas já já comento sobre isso).

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A Lojinha Mágica de Medos

A primeira história, feita por Dharilya, já nos brinda com uma capa sensacional. E não só a capa; quando foleamos e lemos a história, se há algo que não podemos reclamar é sobre o estilo e o enquadramento da artista. Cada traço, cada detalhe, cada página é uma obra de arte por si só, que nem precisaria de história.

O quadrinho conta sobre Brianna, uma mulher dona da tal Lojinha Mágica de Medos que “sequestra” uma alma de uma garotinha com o intuito de vendê-la e que, ao longo da história, vemos a fantasminha contribuindo para Brianna descobrir quem ela realmente é.

Agora, quanto a história, ela é bem… “Alegórica”. Seus simbolismos e metáforas são muito bem trabalhados em junção à narrativa fantástica de Dharilya, porém, acredito que alguns subtextos que ela quis colocar ficaram “pesados” demais, no sentido de que só com mais de 1 leitura você consegue pegar tudo o que a obra quer passar. Aliás, teve um elemento da história que só consegui pegar ao ler as anotações ao final do quadrinho.

Mas é uma obra que no momento que você termina de lê-la, a vontade que dá é de reler na hora. E sua narrativa leve (em contraponto aos subtextos pesados) contribui para isso, sendo super rápido de se ler.

E, voltando à arte, só teve um elemento que não gostei do traço de Dharilya: as expressões das personagens. Em alguns momentos não dava pra saber se era uma expressão propositalmente exagerada ou se, ao traço dela, era uma expressão normal.

MAS, não tira em nada a qualidade incrível da obra.

Sobre Desejos e Destinos

A história de Pedro já começa como um contra-ponto pela de Dharilya por sua arte-final: enquanto que A Lojinha Mágica de Medos é em todos de preto e branco mas com um “filtro” azul que permeia por todo o quadrinho, Sobre Desejos e Destinos é todo pintado sobre um mesmo “filtro” marrom, que contribui muito para a ambientação pós-apocalíptica em que a história se passa.

O traço de Pedro também é maravilhoso e lembra bastante o de Dharilya exceto pelo fato de que é menos “gótico” e um pouco mais “cartunesco”. Aliás, o que falei sobre as expressões na história acima não vale para esta; Pedro mostra maestria em cada detalhe de seu traço. Senti falta de um enquadramento tão fantástico e único como o d’A Lojinha Mágica, mas apesar de ser um enquadramento mais “normal”, não tira em nada a magia da obra.

Sobre Desejos e Destinos conta sobre um encontro entre uma fada e um ser divino num mundo pós-apocalíptico e suas reações ao se encontrarem com um ser humano sobrevivente.

Aqui, vi mais uma inversão da história anterior; quase não há subtextos, todas as metáforas estão bem leves, não há a sensação de que ler uma segunda vez logo após a primeira traria um entendimento melhor; porém, a história em si é um pouquinho mais pesada, menos “mágica” do que a anterior e até mais visceral, como um grande soco na cara.

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Agora, gostaria de falar de um dos principais fatores da obra:

PUTA. QUE. PARIU. QUE ACABAMENTO FANTÁSTICO.

Por mais incrível que as histórias sejam, se fosse em um formato normal, americano, não seria nem de longe a mesma coisa.

Já pudemos ver o trabalho do casal no BMA Awards de 2014, mas aqui, num projeto mais próprio, vimos que se eles tem a liberdade criativa e editorial, o trabalho fica muito mais único. Acredito que isso valha para qualquer artista em qualquer área.

A versão que comprei veio, além do “álbum”, um marca-página, um pôster, alguns adesivos e dois cartões, todos tão únicos que me sinto até inseguro em usá-los.

Sério, é a primeira coisa que chama atenção. Abrir o álbum, ver o acabamento da capa, o relevo, os lugares para guardar ambos os quadrinhos, digo sem medo que Relicário HQ possui o melhor acabamento que já tive o prazer de ter em mãos. Espero encontrar obras ainda melhores vindas dos dois.

(Detalhe que o Pedro é dono de uma loja de gibis da cidade que eu moro. Ver alguém conhecido com um projeto tão incrível dá um orgulho muito bom)

Enfim, por hoje é só. Fica a recomendação.

Até a próxima!

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