Post do Leitor #3 – In Time (O Preço do Amanhã) (Review)

15666_e0d6b75c46bb89f3d818c42769bdccd0_1

Texto escrito pelo leitor Douglas Barbosa.

In Time (O Preço do Amanhã, título na versão brasileira) é um filme estadunidense de 2011, criado originalmente por Lee Falk e adaptado para filme por Andrew Nicchol. Em In Time, presenciamos a história de Will (Justin Timberlake), em um universo onde o dinheiro foi substituído por outra moeda: o tempo de vida das pessoas. Na história deste roteiro, Will acaba se envolvendo com um homem após ajudá-lo a fugir de “ladrões de tempo”. Este homem, decide entregar todo o tempo restante de sua vida (o equivalente a um século) à Will, pois estava cansado de viver. Em consequência disso, o protagonista vira alvo da investigação dos policiais, os Timekeepers, e a sua vida é radicalmente mudada.

O filme de In Time apresenta uma ideia muito legal cheio de campos interessantes para se explorar e enriquecer a história. Dentre alguns desses campos exploráveis podemos citar: a situação política, econômica e social dentro da sociedade, a partir de alguma crise ou coisa do tipo; e o sentido filosófico da vida, que é representado pelo homem que da de presente a sua vida à Will. Percebemos que essa ideia tem um grande potencial e que poderia sair algo bem legal disso. Porém, o autor optou por fazer um romance, e limitou a sua própria ideia. A ideia do romance não quer dizer, necessariamente, que foi uma escolha ruim, porém não foi algo bem trabalhado durante o desenrolar da história.

O romance estabelecido no filme envolve Will e a filha de um grande magnata (portador de uma grande quantidade de tempo de vida) Sylvia Weis (Amanda Seyfried). Nesse romance, temos uma situação interessante: Will, um personagem caracterizado por ser dos guetos, relaciona-se com Sylvia, uma personagem da “alta classe temporal”. Essa parte da “alta classe temporal” é uma coisa bem interessante. Atualmente, temos a classe média alta/burguesa, caracterizada por ser proprietária de uma quantia considerável e bens e de dinheiro, e classe média, caracterizada por ter uma vida razoavelmente estabilizada. Isso é algo que está presente nesse filme, só que ao invés de ambas portarem dinheiro, elas portam tempo de vida. Ou seja, os ricos, por terem muito tempo de vida, têm mais tempo livre; os pobres, por terem pouco tempo de vida, tem pouco tempo livre para poder garantir a sua sobrevivência. O filme até chega a mostrar isso, apesar de superficialmente.

997014_1366452895721_468_300

Bem…. Voltando ao romance (risos), o principal problema nele é a forma como ele se desenvolveu. A relação dos dois começa após Will sequestrar Sylvia para poder fugir dos timekeepers (termo bem legal usado pra descrever os policiais). Espera-se que desta relação problemática e cheia de devaneios, os dois personagens  sejam desenvolvidos minimamente, porém isso não ocorre. Ambos os personagens só ficaram fugindo dos timekeepers e dos caçadores de recompensa, e o diálogo entre eles basicamente era: “Me dá um pouco da sua vida aí”. O momento mais significativo deles foi quando Will falou para Sylvia a situação das pessoas do gueto, já que Sylvia muda um pouco a sua maneira de pensar. A relação entre os dois fez uma diferença para Sylvia, mas para Will, não. O filme até tenta forçar um drama entre eles quando ambos estão prestes a morrer, mas isso acaba virando algo bem “whatever”, por causa do “não vínculo” com as personagens e as poucas diferenças que o romance fez para eles.

O desenvolvimento mais significativo das personagens principais foi a figura que os dois se transformaram no final do filme. Com a revolta de Sylvia motivada pela despreocupação de seu pai (embora não tenha sido mostrada a relação familiar entre o dois) sobre ela, ela resolve destruir o império do pai com a ajuda de Will e distribuir tempo de vida para as pessoas do gueto. O casal vira uma espécie de Robin Hood no final do filme, mas isso acaba não pesando suficiente para as personagens, devido à própria criação rasa para eles. No início do filme, Will perde a mãe. Isso seria algo bem significativo para a personagem, já que a relação dos dois tinha sido construída, mas isso é quebrado por erro de direção. Bem… na verdade, isso até foi esquecido durante o desenvolvimento da história, então nem faria muita diferença se a cena fosse bem-feita para o personagem. Sylvia foi a personagem mais desenvolvida do filme, porém, não foi algo muito significativo. O desenvolvimento dela se deu pelo descontentamento dela com o pai, porém… não foi mostrada como era a relação dela com o pai. Até se tem uma ideia de como era através de um pequeno diálogo entre os pais dela, mas como disse, não foi mostrado.

Para resumir In Time, descreveria como: Uma boa ideia com potencial desperdiçada em meio a um romance chato. Assistir este filme foi uma grande decepção, no entanto, tem algumas coisas que se salvam. A ação do filme até que é boa e te mantém acordado do romance entediante uma coisa que achei legal foi a “luta” que teve entre Will e o líder dos ladrões. Não chega a ser algo empolgante devido ao jeito como foi feito e o foco do filme, mas foi algo interessante (o braço que fica em cima tira o tempo e o debaixo perde, bem da hora). Outra coisa bem interessante é a ideia de as pessoas adquirirem as coisas que gostam e cumprir suas obrigações gastando o tempo de suas vidas. Embora isso não foi utilizado no filme, está ali! A coisa que mais gostei nesse filme foi do homem que abriu mão da sua vida e deu o seu um século de vida para Will. Embora ele só tenha aparecido, mais ou menos, nos vinte primeiros minutos do filme, notei que ele era feliz e podia ter tudo que quisesse já que ele estava em uma “zona temporal” relativamente pobre. Porém, mesmo assim, ele cansou de viver e abriu mão disso. Mesmo não sendo explorado, achei interessante. A parte das “Zonas Temporais” é uma coisa interessante tb, pelo fato de estratificar a sociedade. Isso sim é bem mostrado no filme quando o protagonista começa a sair de diferenças zonas e a “taxa de vida” começa a aumentar.

Para concluir… Embora o filme seja muito ruim e um (quase) completo desperdício, vale a pena assisti-lo por causa da ideia e pensar sobre as possíveis outras rotas que aquele mundo proporcionaria para o casal e arrumar aquele roteiro (risos).

 

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s