David Bowie – ★

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“No centro de tudo, seus olhos”…

Ultimamente, vários ídolos estão morrendo. Seja por velhice, suicídio, câncer, abuso de drogas ou qualquer outro motivo, perdemos recentemente artistas como Lemmy, Scott Weiland, Alan Rickman (descobri no momento em que estou terminando de editar esse post) e a pessoa que será o foco deste review, David Bowie.

Ao invés de dissertar sobre por que não temos mais “ídolos” novos como tínhamos com esses medalhões da música, vou deixar esse assunto pra algum futuro post ou podcast e me focar no review; eu nunca tinha ouvido David Bowie.

A notícia de sua morte, de certa maneira, me afetou, mesmo não sendo um fã do trabalho do cara (sério, acho que a única música que eu ouvi a voz dele foi em Under Pressure, do Queen. Fora isso, no máximo alguns excertos de Ziggy Stardust, Heroes ou The Man Who Sold The World). E, com a onda de homenagens que a internet se tornou com sua morte (e que sempre acontece quando qualquer artista morre), dessa vez decidi aderir e escutei Blackstar, álbum que ele lançou dois dias antes de sua morte.

Mal sabia eu a surpresa que estava me aguardando.

Blackstar – Começamos o álbum com um épico de praticamente 10 minutos (e que, de acordo com a boa e velha Wikipedia, é a segunda música mais longa de Bowie). Um som bem estranho, com batidas que beiram o eletrônico, mas várias camadas de instrumentos de corda e sopros, criando ao mesmo tempo uma atmosfera tensa, mas que em alguns momentos beira algo meio “oriental”, para desbancar em um interlúdio mais “normal” e até mesmo “acessível” de “jazz” (aqui, aspas porque não sei como definir o gênero desse trecho da canção, mas não que seja importante). A voz de Bowie vai do amedrontador nos versos no início e no fim para uma voz mais “aconchegante” ao meio da música, além dos eletrônicos “I’m a blackstar” e derivados que são cantados no meio da música e que ficam na cabeça. Aliás, o clipe para a música é uma obra de arte a parte, vale muito a pena conferir. Nota 9,5/10.

 

‘Tis a Pity She Was a Whore – começando com uma batida de bateria mais animada, a segunda faixa do disco é bem contrastante com a primeira; aqui, temos um “jazztronica” (essa mistura de jazz com batidas eletrônicas) bem mais animado e de certo modo até mais “comum”, mas à maneira de Blackstar (e aqui me refiro à faixa anterior e não ao álbum), outra música fantástica. A voz de Bowie está linda, recitando uma letra que pode ser considerada “chula” (afinal, é tudo uma questão de interpretação) com uma emoção e poesia que prendem a atenção do ouvinte. Nota 9/10.

Lazarus – primeira música do CD com uma guitarra distorcida facilmente perceptivo, Lazarus é, até aqui, a melhor faixa de Blackstar. Com um ritmo soturno, mas com um “swing” único, que hora usa fraseados com a guitarra (com uma distorção maravilhosa) e hora usa os mesmos com os metais de sopro, o que mais chama atenção na canção é a temática envolvendo seu nome, a letra e o fato da canção (e do clipe) serem praticamente um epitáfio de Bowie. Assim como ambos os Lázaros bíblicos, a letra da canção diz respeito tanto a estar “lá em cima, no céu” quanto a um desejo de burlar a morte, num espelho a tudo que a vida de Bowie teve até então. Curioso que é a segunda canção do álbum a apresentar essa temática em sua letra, apesar de quem em Blackstar é bem mais subjetivo e até mesmo fantasioso (ou metafórico, dependendo do ponto de vista). E, mais uma vez, um clipe incrível (mas com uma versão editada da música, sem algumas passagens instrumentais). Nota 10/10.

 

Sue (Or in a Season of Crime) – Seguindo uma linha semelhante à segunda faixa ‘Tis a Pity She Was a Whore, Sue é uma faixa mais rápida e, por que não, mais “roqueira”. Aqui, a mistura do rock com o pop e jazz está bem mais, digamos “classificável”. E apesar dos versos bem experimentais, não é tão progressiva quanto as anteriores. Mesmo com a letra bem-humorada, por hora é a faixa mais fraca. Não que seja ruim, é apenas… “Ok” (e detalhe que ela foi lançada anteriormente em uma compilação do música tendo aproximadamente 7 minutos, sendo regravada para o Blackstar). Nota 8/10.

Girl Loves Me – Até onde entendi, essa música parece ser sobre… Nada. Ou talvez com tantas entrelinhas e metáforas que acabei ficando na mesma. Mas não importa. Essa canção, mesmo seguindo uma linha parecida com Sue e ‘Tis a Pity She Was a Whore, volta com as sinfonias mais experimentais, e em sua estrutura lembra até um pouco a primeira faixa, Blackstar, mas menos progressiva, com um vocal afiadíssimo de Bowie. Apesar do ótimo instrumental, sua voz é o principal destaque aqui. Nota 9/10.

Dollar Days – Mais uma canção que demonstra uma catarse de Bowie quanto à seu iminente falecimento. Mas desta vez, a canção parece falar sobre “deixar o material para traz”. Uma ótima canção, bem bonita. Seu ritmo é todo norteado no que parece ser uma “balada”, mas continua dentro da proposta do disco sendo uma música sombria e atmosférica, então não se destaca muito como a “balada” do álbum. Termina com uma batida eletrônica que parece despontar na próxima música. Nota 8,5/10.

I Can’t Give Everything Away – O álbum fecha com uma música bem mais simples, tanto em sua estrutura quanto em sua letra. Seu único pecado é a repetição de “I Can’t Give Everythin Away”. Mas é uma belíssima maneira de dizer adeus. Nota 8,5/10.

Nota final: 9, aproximadamente.

No fim das contas, isso soa muito como aquele tipo de pessoa que só conhece o artista depois que ele morre. Não vou negar que foi quase isso, com o detalhe de que eu já conhecia, e não ouvia. Mas não importa, pois se mais pessoas seguirem o caminho que segui, vão se deparar com um álbum sensacional e uma despedida linda de Bowie para com o público.

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