Os Oito Odiados, de Quentin Tarantino [SEM SPOILERS]

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Ou, ainda, “Um estudo sobre a sociedade americana na época”.

Quentin Tarantino sempre esteve sob os holofotes da indústria cinematográfica devido à singularidade de suas peças audiovisuais. Algumas características muito únicas em seus filmes fizeram seu estilo ser altamente aclamado tanto pela crítica como pelo público.

Dentre tais características, acredito que as mais óbvias e perceptivas são a importância dos diálogos, sempre afiados e muitíssimo inteligentes, quase sempre ocupando grande parte de seus filmes; a trilha sonora, sempre marcada por músicas autorais ou mesmo por trilhas sonoras de outros filmes (característica essa que foi muito diminuída no filme aqui comentado); e a sempre exagerada violência, numa espécia de diálogo com a banalização da mesma na sociedade, sendo sempre escrachada e megalomaníaca.

E Os Oito Odiados (o 8º filme completamente dirigido e escrito pelo próprio, logo, desconsiderando Four Rooms e Death Proof) traz tudo isso, exceto por 1 coisa: ao invés de usar músicas “de fora”, pela primeira vez tanto em um filme do Tarantino quanto na história do gênero Western em 30 anos, uma trilha sonora foi composta, e por ninguém mais ninguém menos que Ennio Morricone.

Ainda quanto a parte técnica do filme, temos no elenco atores ou há muito conhecidos por trabalharem com Tarantino, ou que vieram “recentemente”, com grande parte do elenco “estreando” em Django Livre, filme anterior do diretor. Há os quase clichês Samuel L. Jackson, Tim Roth e Michael Madsen. Além deles, temos Kurt Russel, Jennifer Jason Leigh, Walton Goggins, Demián Bichir, Bruce Dern, Channing Tatum e a também companheira de longa viagem Zoë Bell, num papel secundário.

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Bem, vamos ao filme.

Novamente Tarantino nos entrega um filme dividido em capítulos.

Ao longo de seus 6 capítulos, o filme nos entrega uma história bem densa, em que não há “personagem bom” e “personagem mau”; todos são extremamente desprezíveis mas, de sua maneira, conseguem ser extremamente carismáticos.

É bem difícil não comparar o filme com Cães de Aluguel, o primeiro longa metragem escrito e dirigido por Tarantino. Ambos apresentam uma estrutura bem semelhante, em que os protagonistas estão “presos” num local, fora deste local é ainda pior do que dentro e há um “traidor” entre eles, sendo que todos estão ali por motivos totalmente pessoais, não se importando uns com os outros.

E, além da estrutura, o clima é bem parecido; logicamente guardadas as devidas proporções, já que um é contemporâneo e o outro é um velho oeste americano, mas ambos, ao meu ver, são os filmes mais “tensos” do diretor. O filme inteiro você fica grudado na cadeira, analisando cada detalhe para descobrir a verdade e tentar descobrir o que acontecerá no final.

Além de, claro, ser bem violento (e com uma cena em específico até meio desconfortável (e se você assistiu, sabe do qual cena estou falando)).

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Porém, o filme não é totalmente perfeito.

Algo que pode incomodar alguns mas ser bom para outros é a longa duração do filme. Com quase 3 horas, o filme só começa a “engrenar” de verdade ao final do capítulo 3. Antes, é tudo uma grande preparação para o que irá seguir dali em diante: praticamente 1 hora e meia de diálogos que “preparam o terreno”.

Como esse filme é mais “soturno”, esses diálogos podem acabar sendo bem arrastados para alguns, já que envolvem muitas referências a situação geopolítica dos Estados Unidos na época e que na minha opinião se estende um pouquinho mais do que deveria.

Por outro lado, porém, isso acaba sendo um grande mérito da obra: ao assistir pela segunda vez, é muito perceptível o quanto cada palavra dita nessa primeira metade do filme tem um peso e/ou desdobramento na segunda metade.

Mas bem, antes de terminar, só queria fazer uma nota quanto a atuação de Jennifer Jason Leigh. Essa mulher é fantástica, e cada cena que envolvia ela como foco faz qualquer um ficar estático na cadeira olhando.

Não que a Academia valha de muita coisa nos dias de hoje mas ela merece e muito o papel de Melhor Atriz, seja Coadjuvante ou não.

Por fim, só resta 1 coisa a se dizer: assista o filme. 3 horas de puro deleite audiovisual que prenderá sua atenção e fará o tempo passar voando.

Nota: 9,5/10

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