Um fenômeno chamado CCXP

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Continuando na onda das 2 semanas de atraso, acho justo esse tempinho para falar algumas palavras sobre a Comic Con Experience.

Em 2014, tivemos 2 “Comic Cons” brasileiras”: a Brasil Comic-Con e a Comic Con Experience. A primeira, organizada pelo pessoal da Yamato, também organizadora do Anime Friends, não gerou tanta expectativa por parte do público, não haviam tantos convidados grandes, e o povo estava esperando por um “Anime Friends 1.5”. Porém, com a dita CCXP, o negócio foi beeem diferente: primeiro que os organizadores são o pessoal do Omelete, um dos maiores sites de cultura pop do país; segundo que muitas atrações haviam sido anunciadas, e todas gigantescas, algo pouco visto no Brasil. Então, veio a insegurança. Conseguiria um site organizar um evento grande e cumprisse tudo o que prometeu?

Sei lá. Não fui na primeira CCXP.

Mas tudo o que vi na internet relacionado ao evento ovacionava o acontecimento. Tinha acontecido: pela primeira vez, tivemos um evento GIGANTESCO de cultura pop no país.

Sendo assim, acabei decidindo que iria no próximo evento, independente de como eu iria, com quem eu iria e quem fosse estar lá de convidado.

Mas com o passar do tempo vieram os nomes internacionais.

Jim Lee.

Esad Ribic.

Frank Miller.

Krysten Ritter.

David Tennant.

UAU.

Ok, isso tá bom de mais pra ser verdade. Não que eu seja intrinsecamente fã de qualquer um desses nomes citados (na verdade, só David Tennant), mas só de saber que eu estaria dividindo o chão com nomes gigantescos a apenas alguns passos de distância já foi surreal o suficiente pra mim.

Mas não contente com isso, decidi ver quem teria do nosso país por lá.

Todos os autores de todas as Graphics MSP.

Fabio Catena.

Rodney Buschemi.

Daniel HDR.

Cris Peter.

Marcio Fiorito.

UAU.

Tive que levar 2 bolsas. Uma para coisas da viagem (roupa, coberta e essas coisas) e para o que eu fosse comprar lá e outra para o que levei para ser autografado.

Então, vamos lá. Rumo ao maior evento nerd do Brasil.

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Chegando no local, a fila estava GIGANTESCA. Horas e mais horas parada, apenas esperando. Mas isso não é nenhuma surpresa; afinal, no Anime Friends, que é um evento que vou quase todo ano, não é diferente.

Mas quando a fila começou a andar, tudo mudou.

Fazendo um percurso longuíssimo, porém sem parar, todos iam ouvindo por caixas de som espalhadas músicas que tocavam intercalando com a voz de ninguém mais ninguém menos que Wendel Bezerra, dublador do Goku e do Bob Esponja, escolhido magistralmente como “narrador” oficial do evento.

Entrando no local, parece que aquilo não é real: o evento é GIGANTESCO. Todos aqueles vídeos de Comic-Cons de San Diego e de Nova York, ali, reais, na nossa frente. Estandes enormes, lindos, várias atrações, estátuas, apresentações, exposições. Foi um evento em que não tinha como ficar sem fazer nada, sempre tinha algo para ver.

Existem aqueles evento que, quando chega o meio da tarde, eles já acabam. Você já viu tudo o que tinha pra ver, comprou tudo o que podia comprar.

Na CCXP, além disso ser impossível de acontecer, é um evento para se ir no mínimo dois dias.

Por que?

Em 1 dia você vai para fazer o que fiz: olhar, comprar, descobrir, conversar, visitar. No outro, para o que mais diferencia o evento: seus painéis.

É quase impossível entrar num painel muito requisitado. Tem um limite de cadeiras e só fica disponível quando alguma boa alma sai. No dia em que fui, mesmo, só liberaram espaço no painel Cinemark na hora que começou a palestra do Supermax, acredito que por preconceito e falta de interesse do público por ser sobre uma produção da Globo.

E aliás, que lugar ótimo. Cadeiras super confortáveis, e a opção de se comprar pipoca (?) do próprio Cinemark só melhora a experiência.

Enfim, se eu dissesse tudo o que teve de bom lá, esse post não teria fim. Então agora, vou focar em algo que merece muito mais atenção do público.

O Artist’s Alley.

A “marca” Comic Con começou como literalmente uma convenção de quadrinhos. Como desde muito tempo atrás os quadrinhos sempre foram muito abrangentes, com o passar do tempo o evento foi dando espaço a várias outras coisas, como filmes, jogos, desenhos… Mas nunca esquecendo dos quadrinhos.

E o Artist’s Alley é justamente esse espaço totalmente voltado aos fãs de quadrinhos. Artistas grandes, pequenos, nacionais, internacionais. Lá tinha de tudo. E todos querendo vender sua arte, querendo conversar com seus fãs ou mesmo com seus ídolos. Pois quadrinistas são humanos, acima de tudo, e estão lá pelo o que amam e para o que amam.

Não tive a oportunidade de ter contato com muitos quadrinistas internacionais. Apenas peguei autógrafo do Esad Ribic para meus Surfista Prateado – Requiem (o autógrafo do cara é um risco, UM RISCO), e elogiei Mark Waid de longe. Aliás, quanto a este último, a fila para pegar autógrafos com ele estava GIGANTE. Só consegui gritar de longe “Mark, Irredemable is great!” e vê-lo me agradecer.

Se só esta atitude já demonstra humildade por parte de grandes nomes, imagine com os quadrinistas brasileiros.

Nomes como Daniel HDR, Cris Peter, Rodney Buchemi, Pedro Leonelli, Fabio Catena, Danilo Beyruth e diversos outros provaram porque estão entre os melhores do ramo. Me senti mal por ir falar com eles mais para conhecê-los e conversar do que parar fazer compras e ajudá-los, mas ainda assim, todos me trataram tão bem que me senti em casa. Uma experiência única, sem dúvidas.

Seguem algumas fotos que tirei com alguns:

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Daniel HDR (como o cartaz atrás diz). Não comprei nada com ele, o que é uma pena. Fiquei “espiando” ele fazendo sketchs na hora, e o cara se demonstrou muitíssimo humilde. Até se preocupou comigo perder meu celular (“Cuidado quando for tirar essas fotos pra ninguém pegar, heim?”).

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Rodnei Buchemi e Fabio Catena (que já gravou um ChatCast com a gente). “Conheço” eles a longa data graças ao Podcast MdM, mas só na CCXP fui ter a oportunidade de vê-los de perto. Incríveis.

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Suta, Ariane, Cris e Ana (novamente, como diz os cartazes (tenho que parar com isso)), que foram incríveis. Engraçado que fui 1 vez para pegar autógrafo com a Cris, e não conhecia as outras. Depois fui uma segunda vez para ver mais do trabalho e, no fim do dia, fui uma terceira vez para comprar algo com o pouco de dinheiro que me restava, pois nada mais justo depois de tomar tanto o tempo delas ao longo do dia :’)

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Marcelo Matere, desenhista oficial dos Transformers para a Hasbro. Outro que se mostrou incrível ao, no meio de vários sketchs e autógrafos, parar para tirar uma foto comigo.

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Danilo Beyruth, um cara que se mostrou um amor de pessoa fazendo diversos sketchs de graça (no nível de ter feito 5 sketchs para 1 pessoa só (que estava na minha frente na fila)).

Depois de toda essa experiência, me veio a cabeça o quanto esses artistas tão incríveis e tão humildes são desvalorizados aqui no país. Não só porque a cultura não tem tradição nisso, mas os próprios “nerds” muitas vezes não dão valor. Chega a ser uma cultura de nicho do nicho.

Por isso mesmo, dedico este final do texto mais como um “apelo”: vão trás do que o mercado  nacional oferece. Temos artistas incríveis, com obras de qualidade inimaginável, e todos ao alcance. E, o mais importante de tudo, todos sem deixar a humildade de lado.

Nos próximos dias, postarei aqui minhas resenhas das obras brasileiras que comprei no evento para ver se “encorajo” mais gente a se aventurar nesse meio.

Mas até lá, por enquanto é só.

Então, é isso.

Comic Con Experience, um evento que já está na história.

Até ano que vem.

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4 comentários sobre “Um fenômeno chamado CCXP

  1. Pingback: CCXP 2016 e o Brasil Nerd | Chat Supremo

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