Doctor Who S09E12 – Hell Bent

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Depois de quase 2 semanas, arranjei um pouco de tempo pra falar desse polêmico final de temporada.
Mas antes,
Hell Bent, Hell Bent For Leather (8)

Eu acho interessante fazer esse review sobre 1 ponto de vista: o da expectativa.

Acredito que, fora o especial de 50 anos, desde que Moffat assumiu como showrunner não houve um season finale que tivesse gerado tanta expectativa por parte do público como esse.

Só listando algumas das coisas que todos estavam esperando ver:

  • Resolução da trama da Clara;
  • GALLIFREY STANDS;
  • Daleks;
  • Cyberman;
  • Weeping Angels;
  • Ashildr/Me
  • Aparições do 10th e do 8th (não me perguntem o por quê, mas vi várias pessoas especulando isso);
  • O que é o Híbrido;
  • Mais revelações sobre o disco de confissão;
  • Missy.

E isso foi só o que lembrei de primeira mão. Várias e várias pessoas estavam esperando várias e várias coisas. O interessante é que mesmo apenas 1 destes itens já poderia ser o mote do episódio inteiro, como Gallifrey mesmo.

Mas não, pra Moffat isto não é o suficiente.

Mas será que todas as expectativas foram cumpridas?

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CALMA, EU JÁ VOU FALAR MINHA OPINIÃO, PERA

Desde que apareceu, Clara Oswald foi uma personagem que dividiu opiniões: ou você a amou, ou você a odiou, principalmente a partir da oitava temporada. Não é segredo que o Moffat gosta de usar as companions que cria até esgotá-las, tanto é que em 5 temporadas dele tivemos menos companions que em 4 temporadas do Davies (não que isso seja necessariamente ruim, afinal a única companion do Davies que compete com Amy e Clara como as melhores da série moderna (e, inclusive, ganha) é a Donna).

Dito isso, várias pessoas se decepcionaram ao saber que a nona temporada seria inteira com a Clara. De certa forma, é mesmo meio chato saber que teremos mais 1 temporada inteira com a mesma companion que já temos há 2 anos, ainda mais se você for do time que a odeia.

Sinceramente, nunca vi motivo para tanto ódio para cima da Clara. Além de carismática, a Clara sempre se mostrou muito inteligente e corajosa, além de ter um ótimo senso de humor. Ok, ok, concordo que a trama envolvendo o Danny Pink na oitava temporada foi horrivelmente mal construída e (talvez, e só talvez, mas explico o por quê mais pra frente) desnecessária, mas não se torna motivo para odiá-la. Ao meu ver, ela é muito mais bem construída que a Martha Jones, por exemplo, que apesar de inteligente e carismática foi apenas “mais uma companion que quer ficar com o Doutor”, e saiu porque não era correspondida.

A trama de Clara com Danny Pink, apesar de mal construída, serviu para 1 propósito: termos a Clara a que fomos apresentados nessa temporada. Uma Clara mais madura mas ao mesmo tempo muito mais inconsequente, características essas que justificam seu fim.

Aliás, um dos motivos de não gostarem da Clara é o de falarem que ela é “mais protagonista que o Doutor”, o que eu acho uma bobagem gigantesca.

Mas o que tudo isso tem a ver com a pergunta que fiz se o season finale cumpriu ou não o que prometeu?

Simples.

Foi um season finale COMPLETAMENTE voltado para a Clara.

Tivemos Gallifrey, tivemos Daleks, tivemos Weeping Angels, Cyberman, Ashildr/Me, híbrido e tudo o mais. Mas, mais do que tudo, tivemos Clara. E, querendo ou não, foi um final muito digno.

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O Doutor não é ninguém sem alguém para viajar com ele. Digo mais, como já muito vimos na série, ele chega a ser um perigo. Então sua despedida de Clara, além de naturalmente importante, marca algo histórico na série moderna por não ter sido o Doutor que se despediu da Clara, e sim a Clara que se despediu do Doutor.

Inclusive, de um ponto de vista atual, envolvendo o feminismo e tudo o mais, esse foi o final de uma companion mais significativo da série moderna. Clara Oswald não saiu porque não era correspondida pelo Doutor; não sofreu porque não poderia namorá-lo; ela saiu de cabeça erguida, sofrendo porque não poderia mais ver seu melhor amigo, mas feliz por saber que o salvou.

Bom, esse episódio ainda tem muito o que se comentar, então pra não alongar mais ainda o texto farei apenas comentário curtos:

  • Toda a primeira metade em Gallifrey foi incrível. Primeira vez na série moderna que Gallifrey aparece tanto assim. Porém, não entendi 2 coisas: primeiro, Gallifrey foi “salva”? Agora poderá aparecer novamente? Segundo, qual foi a do disco de confissão? Ele era o local em que se passou Heaven Sent?
  • A explicação para o que era o Híbrido foi ótima. De um ponto de vista mais “épico”, pode ter sido decepcionante, mas casou muito bem com a trama da saída da Clara;
  • OK, então o filme do Oitavo pode acabar sendo 100% canônico, e só agradeço ao Moffat pela sacada. Nada foi confirmado ainda, mas só o gancho soltado pela Ashildr já dá a entender que isso pode (e deve) ser trabalhado mais pra frente;
  • Alguém mais reparou na nova versão de Bad Wolf que tocou nas cenas do Doutor no celeiro em Gallifrey?
  • Confesso que fiquei com certo cagaço nas cenas naquele subterrâneo de Gallifrey. Aqueles “guardas” podem se tornar ótimos vilões;
  • Moffat mais do que nunca canonizou que a regeneração pode sim ter mudança de sexo,  e não só isso: um homem branco se tornou uma mulher negra, numa das melhores cenas do episódio. Ótima sacada.
  • Restaurante no Fim do Universo, alguém? (Aliás, foi só coincidência a aparência do restaurante ser a mesma da sexta temporada (como o próprio Doutor lembra) ou a Clara deu uma “pesquisada” antes?

Bem, antes de terminar o review propriamente dito, vou fazer algo que vi a Gabriela Ventura fazer lá no WhoCares nos reviews dela da oitava temporada e listarei do melhor para o pior episódio a temporada:

1 – Heaven Sent – Acredito que não haja muita discussão. Até as poucas pessoas que odiaram a temporada gostaram desse episódio. Sem dúvidas um episódio que entrou pra história da série, o ápice narrativo e visual que tivemos até agora.

2 – The Zygon Inversion – Tava em dúvida entre esse episódio e o terceiro colocado, mas o discurso apresentado aqui fez por merecer estar aqui. Um discurso que ecoou por todo o mundo nessa época que vivemos uma política que a qualquer momento poderá e irá apoiar a guerra.

3 – The Witch’s Familiar – Conclusão do primeiro episódio da temporada, mostrando o que teríamos pela frente: uma temporada incrivelmente bem escrita, com ótimos momentos, ótimos diálogos e ótimo uso da viagem no tempo.

4 – Hell Bent – Final de temporada, fechou todas as tramas do Moffat até então de um ótimo jeito, com um final muito digno.

5 – The Zygon Invasion – Até então havia sido um dos episódios mais diferentes da série, bem mais voltado ao lado “policial” da coisa.

6 – The Magician’s Apprentice – Ótimo começo de uma ótima temporada. E um cliffhanger incrível no final.

7 – Before The Flood – Uma das únicas vezes em que a viagem no tempo foi utilizada para resolver o problema apresentado, e não apenas para “ir a algum lugar”.

8 – The Woman Who Lived – Um episódio meio fechado, meio continuação, mas que trabalha muito bem vários conceitos apesar de seu vilão bem bostinha.

9 – Under The Lake – Um dos melhores episódios da série no esquema “Doutor e Companion chegam a base militar com monstro”.

10 – Face The Raven – Episódio histórico, com ótima ambientação e ótimo roteiro, mas muito inferior a seus posteriores Heaven Sent e Hell Bent.

11 – The Girl Who Died – Um episódio divertido, mas que vale mais por seus 20 minutos finais do que qualquer outra coisa.

12 – Sleep No More – Episódio que a parte técnica fez valer pelo roteiro fraco.

Bom, é isso. Foi um prazer escrever esses reviews semanais acompanhando o que eu considero a melhor temporada da série. Espero que tenham gostado.

Deixem aí nos comentários suas opiniões sobre o final de temporada. Você gosta da Clara ou a odeia? E quais foram os melhores episódios pra vocês?

Mas continuem ligados que ainda vai ter muita novidade por aqui.

Enfim, até o especial de Natal! o/

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4 comentários sobre “Doctor Who S09E12 – Hell Bent

  1. Notei que o que mais incomodou neste finale foi a importância exacerbada que a companion Clara recebeu. Confesso que eu também estava enveredando por esta interpretação. Mas depois de rever os episódios e prestar mais atenção numa cena específica do finale, tudo me fez sentido.

    Primeiro, vou discorrer sobre o que me motivou a análise que culminou neste post. Claro, que foi o DWBRcast onde foi comentado que o Doutor chegou a extremos por esta companion (Clara) que até então nunca foi manifestado por qualquer outro(a).

    Fiquei igualmente intrigado com este fato, ainda mais considerando que no DWBRcast foi mencionado que o Doutor, com tudo que viveu, já deveria estar acostumado a “lidar com o luto”.

    Achei OK, mas, revendo o finale mais uma vez, prestei atenção num detalhe onde a Asidr disse que o Mestre por assim dizer, engenheirou a Clara como companion do Doutor de modo a estabelecer o caos. Até aí, tretas do Mestre para juntar o Doutor com a Clara à parte, não há nada que justifique por que a Clara se tornou “tão especial” assim. Bom, é aí que entra The Name of The Doctor, onde a Clara LITERALMENTE se impregna na linha do tempo do Doutor. “Só” isto batou para que a Clara se tornasse o companion “mais especial que qualquer outro”. Podem argumentar que os acontecimentos em “The Time of The Doctor” tenham “apagado” os eventos de “The Name…” mas sabemos que NA PRÁTICA (em termos da série) “não é bem assim”.

    Então temos Clara como, até então, a ÚNICA companion a se impregnar em toda linha temporal do Doutor! Impossível aceitar que isto já não fosse parte do plano original do Mestre em colocar a Clara na linha do tempo do Doutor! Portanto todas as reações do Doutor no finale são PERFEITAMENTE COERENTES dentro da realidade dos personagens como foi engendrada até então.

    Assim, só posso concluir que o finale seguiu a ÚNICA LINHA POSSÍVEL em termos de comportamento dos personagens e desenrolar possível dos eventos. E, gostem ou não, o híbrido se explica perfeitamente pela junção Doutor-Clara “patrocinada pelo Mestre, quem sabe numa tentativa de abalar o psicológico do Doutor e aproximá-lo para seu lado.

    Curtido por 1 pessoa

    • Cara, teu comentário demonstrou exatamente o que penso. Também concordo que é perfeita aceitável que a Clara seja a companion mais importante para o Doutor até então, e não pelo o que a “Clara original” viveu com ele mas sim por tudo o que eles já viveram nas outras regenerações do mesmo.
      (Porém, ainda fico encucado com o fato de não ter sido tãããão fechado assim a explicação de por que não poderia ter mais ecos da Clara).
      Aliás, poderia me lembrar quais acontecimentos do Time Of The Doctor negam o Name Of The Doctor?

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  2. Só gostaria de partilhar mais duas teorias:

    Em “Heaven Sent” cheguei a imaginar que o Disco de Confissão seria um dispositivo capaz de liberar Gallifrey do Universo Paralelo onde estava congelada, mas que deveria ser acionado de fora para dentro, daí toda trama para atrair o Doutor para dentro dele.
    Mas em “Hell Bent” o Disco de Confissão se mostrou mesmo um dispositivo com a finalidade de… confissão!
    Assim a minha teoria para o “descongelamento” de Gallifrey poderia ser o resultado do confronto entre Rassilon e o Mestre em “The End of Time”. Se a explosão de uma “simples” TARDIS foi poderosa o suficiente para aniquilar todo Universo, por que não o confronto entre dois poderosos timelords não seria suficiente para mover um simples planeta entre dois Universos? Ainda gostaria de acrescentar que interpretei que Rassilon, ao invés de regenerar possa ter envelhecido durante o combate com o Mestre.
    Falando no Mestre, aí entra minha segunda teoria: A profecia do híbrido pode muito bem ter sido plantada na matrix pelo próprio Mestre não só como parte de seu plano em relação ao Doutor e Clara como comentei no post anterior mas também como uma espécie de represália contra Rassilon por ter implantado em sua mente as batidas dos tambores.
    Sei lá, são umas teorias meio malucas mas nem tanto despropositadas se considerarmos que é bem “a cara do Mestre”!

    Curtido por 1 pessoa

    • A segunda teoria é plenamente aceitável. Aliás, não duvido que confirmem isso. Senti falta da Missy nesse season finale, imagino que isso será mais explorado na décima temporada.
      E então, será que o lugar em que se passa Heaven Sent foi feito pelos Time Lords para ter a confissão do Doutor sobre o Híbrido? Se sim, como o Doutor conseguiu o disco já que Gallifrey estava perdida? Ou será que ele sempre o teve?

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