[RPG] Crônicas em Tormenta #1

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Rolem iniciativa!!!

Saudações galera, Darf aqui e hoje vou falar de RPG.

O RPG , sigla para Role-Playing Game (Jogo de Interpretação de Papéis), é um jogo onde um grupo de pessoas se reúne para contar uma história, basicamente. Um dos jogadores faz o papel do mestre, sendo responsável por criar a premissa da história e controlar os personagens não-jogadores (npcs), e os outros jogadores cada um joga com o seu personagem, seu alter ego no mundo imaginário que o mestre criou.

Ao invés de usar um computador ou videogame, são utilizados lápis, borracha, papel e dados multifacetados. “Ah, mas como vou ver o que aconteceu?” E aí está o tchan da coisa: Você não vai ver, você vai imaginar. E por isso o RPG é um jogo divertido, pois o seu limite é a imaginação.

Agora que introduzi um pouco a respeito do que é RPG, vamos para o post em si. Essa semana comecei a mestrar uma campanha (uma série de jogos de RPG) com uns amigos, dois deles são daqui do Chat Supremo: o Júnior e o Lex. Estamos jogando Tormenta D20, um rpg completamente brasileiro que usa a mesma base de regras do famoso Dungeons & Dragons. O mundo de Tormenta, onde nosso jogo está se passando, é também o palco de uma história em quadrinhos e uma saga de livros, das quais pretendo falar no futuro.

Vou postar em forma de conto cada jogo que fizermos, como uma espécie de diário. Não sei se a campanha durará, não sei se conseguirei fazer contos decentes. Mas espero que sim.

Sem mais enrolação (Porque esse post vai ficar longo) vamos à primeira aventura.

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“Avante homens! Para o inferno e o fim do mundo!”

“A construção de pedra era ancestral, um templo escavado na montanha. O local era dedicado a Khalmyr, o deus da justiça, e era tanto um forte quanto era um templo sagrado. Devido a aparência bélica e posição estratégica para o reino subterrâneo dos anões, o local recebera o nome de Cidadela de Khalmyr. E a Cidadela era um dos vários templos onde paladinos e clérigos da justiça meditavam, treinavam e paravam para descansar.

Perestroika era um desses paladinos. Um anão de barba e cabelos brancos, armadura pesada, escudo em uma mão e martelo na outra. Caminhava com passos firmes pelos saguões de pedra antiga em direção ao salão principal, onde o alto sacerdote da Cidadela o aguardava. O alto sacerdote, o responsável por governar o templo, era um anão atarracado de barba curta e loira. Vestia uma túnica branco e dourada e tinha um cetro na mão esquerda, apoiando-se no chão com a ajuda dele. Disse então, com a voz cansada:

– Obrigado por vir tão rapidamente, Perestroika. Trata-se de uma situação que requer urgência.

– Pelo grande Khalmyr! O que aconteceu, alto sacerdote?

– Perdemos contato com uma cidade mercadora nossa, Anulbarak. Recebemos mensagens da cidade de Valkaria sobre uma de suas caravanas não ter retornado ainda. Mandamos mensageiros para averiguar isso e eles também não retornaram.

– Acha que a Tormenta avançou?

A Tormenta era uma terrível tempestade vermelha. Com ela vinha uma chuva ácida e corrosiva e nela habitavam criaturas terríveis e abomináveis, os demônios da Tormenta. Nenhum lugar assolado pela tempestade rubra voltava a germinar vida. E havia uma dessas áreas de Tormenta não muito distante de Anulbarak.

– Khalmyr seja clemente! Esperemos que não seja algo tão terrível. E foi para isso que o chamei aqui, meu caro Perestroika. Preciso de que reúna um grupo de aventureiros dispostos a eliminar alguns saqueadores ou monstros, que devem ser a razão desse sumiço de caravanas e mensageiros.

– Mas, senhor, como bem sabe aventureiros não trabalham de graça.

– De fato. Para isso lhe entrego trezentos tibares de ouro. Devem ser suficiente para pagar estadia em Valkaria e contratar alguns aventureiros corajosos. Estou contando com você!

– Não vou decepcioná-lo, pois Khalmyr está comigo!

– Ele está com todos nós.

Com uma despedida, Perestroika partiu para Valkaria.

Após uma viagem tranquila de um dia, o paladino anão chegou à movimentada capital do reino de Deheon. A conhecida estátua da deusa Valkaria, deusa dos humanos e da ambição, localizada no centro da cidade continuava a ser uma fonte de assombro para o anão. Com grandiosos oito quilômetros de altura, a estátua de uma mulher seminua ajoelhada com as mãos estendidas ao céu fora a prisão da deusa por muito tempo. Até que os famosos Libertadores enfrentaram terríveis desafios no labirinto dentro da estátua e libertaram Valkaria. A estátua permaneceu como uma lembrança inspiradora para os humanos.

Perestroika foi a uma estalagem conhecida que costumava visitar com certa frequência, a estalagem do Lobo Negro. O local, gerido por um homem de meia idade e grande bigode negro chamado Geraldo, era bem frequentado e estava bem cheio na hora em que o anão chegou, já que estava anoitecendo.

Um bardo tocava para a plateia já bêbada, que o acompanhavam na cantoria ao chegar o refrão. Várias pessoas estavam sentadas espalhadas pelas mesas, comendo, bebendo e apreciando a música. Algumas pessoas dançavam e as duas garçonetes, a filha e a esposa de Geraldo, andavam para lá e para cá servindo clientes e recusando flertes.

O paladino anão chegou no balcão onde o taverneiro cuidava dos copos e dos pedidos, bateu a mão no balcão para chamar sua atenção enquanto ia pedindo:

– Me veja um caneco da sua bebida mais forte, Geraldão! – Era como o taverneiro era chamado pelos clientes mais comuns do Lobo Negro. – Preciso aguar minha garganta depois de passar o dia inteiro na estrada.

– Como quiser, mestre anão. – disse o homem enquanto enchia uma caneca generosamente com uma cerveja bem escura e espumante. – Uma caneca de Piche de Bielefeld. Vamos ver o que acha dela.

– Faz tempo que não vejo algo da safra do país das bebidas. À sua saúde! – E entornou o caneco inteiro, arrotando no final e rindo. – Essa é das boas, devo admitir. Não tão fortes quanto a velha cerveja anã, mas sem dúvidas é muito boa.

– Obrigado, Perestroika. Mas me diga, veio a negócios ou a passeio?

– Adoraria dizer que vim a passeio, Geraldo. – Disse o anão, mais sério. – Mas tenho que fazer uma tarefa para o grande Khalmyr. Vim para contratar aventureiros dignos. Ouviu falar de algum decente na cidade?

– Entendi, entendi. Bom, você deu sorte de vir no dia certo meu amigo. O movimento hoje está ótimo e com certeza você encontrará alguém disposto a ajuda-lo.

– Então só tenho que ver quem daqui é habilidoso o suficiente para me ajudar. Até mais, Geraldo! – disse e jogou um tíbar de ouro pro homem.

Perestroika foi até a mesa mais movimentada, com vários bêbados rindo, pulando e cantando ao som da música. Um dos bêbados fazia acrobacias ao invés de simples saltos entre as mesas como os outros. Era um homem esguio de olhos levemente puxados e cabelos compridos ruivos presos num rabo de cavalo e vestia um kimono samurai típico de Tamu-Ra, mas não tinha nenhuma katana à vista. O anão então puxou seu cantil de viagem, cheio de cerveja anã, e disse em alto e bom tom:

– Senhores, tenho aqui um pouco da boa e velha cerveja anã. Como bem sabem, qualquer não-anão que a beba costuma desmaiar bêbado. Mas a pergunta que fica é, quem de vocês é forte o bastante para aguentar um gole sem capengar?

Vários bêbados começaram a levantar as mãos gritando:

– EEEEU!

– Saiam fora, vou mostrar como se faz. Dá um gole aí. – chegou dizendo o homem de kimono.

– Calma lá! Como qualquer boa competição, nós também temos regras. É tudo bem simples, na verdade. Paguem cinco tibares de ouro para entrar aqueles que quiserem participar. Cada um dos participantes poderá dar um gole do meu cantil. – E tomou um gole para demonstrar – Como podem ver, não está batizado. Então, quem vai participar?”

 

Bom, vou parar por aqui porque senão vai ficar muito grande para um post. Espero que estejam gostando, feedbacks serão bem vindos. Até a próxima parte.

Ciao.

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2 comentários sobre “[RPG] Crônicas em Tormenta #1

  1. Darf,

    Apesar de nunca ter jogado no universo de Tormenta, já investi um bocado de tempo em RPG. Hoje, é muito difícil achar um grupo e manter uma campanha com as vidas cheias de compromissos que levamos. Estou admirado e empolgado com a história de vocês! Além disso, estou ansioso pela próxima parte!

    Isso me dá ótimas ideias para o futuro e espero que você e seu grupo topem participar de outras aventuras quando o tempo propício chegar.

    Grande abraço,
    Lucas Palhão

    Curtido por 1 pessoa

    • Obrigado Lucas,

      Realmente, o mais difícil para manter a campanha não é ter ideias de como guiar a história em si e sim reunir o pessoal de forma regular. Espero que consigamos manter essas reuniões regulares e continuar essa crônica também.

      Saber que você fica ansioso me deixa animado, é bom saber que gostaram do conto.

      Grande Abraço,
      Darf

      Curtido por 1 pessoa

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