Doctor Who S09E06 – The Woman Who Lived

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Imortalidade, Lion Man, sem Clara e o início do Stand Up Comedy no episódio dessa semana de Doctor Who.

Eu acho importante deixar algo claro: ao meu ver, Doctor Who é uma sério muito mais sobre os personagens do que sobre os vilões ou sobre embates épicos.

O episódio dessa semana entra naquela categoria de que o vilão não é nem um pouco importante. Digo mais, nem um pouco explorado. Ele está ali como um recurso do roteiro; tem que ter um vilão no episódio, e tem que ter um acontecimento que faça Me/Ashildr ficar “do bem” de novo. Não é a primeira vez que temos um episódio em que o vilão está ali apenas para demonstrar um lado de algum personagem ou mesmo para desenvolvê-lo na série. Aliás, vários episódios são assim. Só de cabeça já me lembro de Midnight (S04) e Amy’s Choice (S05), episódios que tem seus respectivos vilões mas que, por mias que eles pareçam ser a primeira camada, estão lá apenas para que os outros brilhem (apesar de que o vilão desse episódio não é tão interessante quanto esses outros). Mas vamos ao episódio.

O Doutor (sem a Clara) chega a Inglaterra de 1600-e-alguma-coisa procurando por um “objeto raro” com seu “gadget que procura objetos raros”. Conforme vai chegando perto, dá de cara com uma carruagem que está sendo assaltada por um ladrão já conhecido na área, denominado Knightmare, e que apresenta consigo um “aliado” que está escondido mas que só de vê-lo as pessoas já ficam com medo. Depois de uma ótima cena do Capaldi atrapalhando o assalto, a carruagem que contém esse “objeto raro” que tanto o Doutor quanto o Knightmare quer consegue fugir. Então, temos uma tremenda revelação: Knightmare é Ashildr. Ou melhor, Me (Eu).

UAU.

(Aliás, achei completamente desnecessário ela falando com voz de homem enquanto vai assaltar. Tudo bem que deu um repertório interessantíssimo pra personagem, mas ficou pouco natural.)

Temos então um longo trecho, que vai da floresta inicial do episódio até a mansão em que Me vive, sobre como foi a vida de Me até então (a montagem de coisas que ela já viveu ficou bem divertida). O Doutor e Me vão roubar o artefato, conseguem, ela revela que ela e o vilão do episódio, um Lion Man 2015 pretende fugir com aquele artefato, prendem o Doutor, vão até uma praça em que ocorrerá o enforcamento de um ótimo personagem que já apareceu anteriormente no episódio para ativar o item (que precisa da vida de alguém), o Doutor consegue fugir e chegar lá, rola uma invasão, Me viu que fez merda, se arrepende, se junta ao Doutor para salvar o dia e usa o “item que ressuscita as pessoas” que tinha sobrado no último episódio para reviver o cara que morreu e impedir a invasão.

E isso, acima, foi a parte irrelevante. Vamos para o verdadeiro cerne do episódio.

The Woman Who Lived é um episódio quase sem ação, muito mais voltado para os diálogos. E esses diálogos expressam algo que acredito ser uma das funções da personagem de Maisie Williams nessa temporada: mostrar como é um humano que é imortal.

Anteriormente tivemos o Capitão Jack (que foi citado, aleluia), mas o contexto era completamente diferente. Primeiramente que no caso do Jack, sua imortalidade era usada de um jeito muito mais galhofa, para cenas de comédia ou em lutas. Além de que Jack já tinha experiência de vida, já tendo vivido várias aventuras antes mesmo de conhecer o Doutor. Ashildr/Me não; além dela não ser indestrutível (o próprio Doutor fala isso), podendo apenas não morrer de velhice (apesar de ter um fator de cura, como foi visto na referência à Peste Negra), ela era uma criança de uma vila isolada. Não conhecia nada do mundo, não tinha vivido aventuras, e ainda teve que conviver com a morte de todos que amava enquanto ela continuava viva. E ela não tinha uma máquina que viaja pelo tempo/espaço; centenas de anos de vida e ela se locomove como um humano normal. Por esse sentimento de que algo falta, por essa sensação de que o Doutor deve uma a ela, Ashildr/Me passa todo o episódio pedindo para que o Doutor a ele com ela.

O que nos leva a segunda discussão do episódio.

Apesar de não ser imortal como Ashildr/Me, o Doutor vive muito mais do que todos os outros. E como sabemos, o Doutor não pode viajar sozinho; mas por que ele viajaria com alguém “igual” a ele? Alguém que não tem medo da morte, alguém que está além dos outros. A função das companheiras e companheiros do Doutor é fazê-lo sempre se lembrar do que é a vida, do quanto ela vale; eles que dão “humanidade” ao Doutor, e “humanidade” que digo é uma noção sobre a vida, e não necessariamente aspectos humanos. Alguém frágil, que pode morrer a qualquer momento com o Doutor, o faz ver o quanto a vida é preciosa. Preciosa o suficiente para ele “criar” a Me.

E então vem a questão: como o Doutor reage sabendo que suas companheiras não durarão para sempre? E é aí que Ashildr/Me entra no final do episódio: ela vigiará as companheiras do Doutor. Estará lá quando ele não estiver. “Você será minha inimiga?”, pergunta o Doutor. “Não. Porque é com seus amigos que você tem que se preocupar” responde Ashildr/Me.

Vou parar por aqui porque este texto já está grande demais. Então, só algumas considerações:

  • A ideia de se chamar “Me” foi fantástica. É mais uma ramificação do que eu disse sobre o episódio mostrar como é a imortalidade pelos olhos de uma criança humana que foi forçada a crescer;
  • Toda a sequência do Doutor conhecendo mais sobre a Ashildr naquela “biblioteca” só de diários dela foi de cortar o coração;
  • Capaldi e Maisie Williams estão com uma química incrível durante o episódio;
  • Clara só no finalzinho para a alegria dos haters dela, mas foi mais para mostrar o desdobramento do que a Me disse do que qualquer coisa;
  • CAPALDI + GUITARRA = PRECISAMOS MAIS DISSO;
  • Acabei não falando do Sam, mas toda a cena dele fazendo praticamente um show de Stand Up na forca antes de morrer e chamando o Doutor pra ajudar foi um dos melhores momentos do episódio. Doutor leva jeito pra comediante;
  • Aliás, será que o Sam ficará imortal também?
  • E que teoria é essa de que o Doutor já viu o final da Clara e agora está viajando com uma Clara “do passado”? Se ela já morreu, por que não tem outro eco? Se for verdade, é Moffatisse demais pra minha cabeça.

E no próximo episódio: ZYGONS, UNIT E OSGOOD DE VOLTA!

E você, o que achou do episódio? Deixe sua opinião aí nos comentários!

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