[Análise] Saga Crônicas do Matador do Rei

kvothe

Ruivo. Olhos verdes. Não, não é um anúncio do jornal. É o Kvothe.

Darf aqui mais uma vez, depois de vários séculos sem escrever nenhuma matéria.

Hoje vou falar de uma série de livros que gosto muito, sendo na verdade minha série preferida atualmente: As Crônicas do Matador do Rei.

As Crônicas são uma trilogia de livros, onde apenas dois já foram lançados e o terceiro ainda não deu sinal de ter uma data de lançamento. Esses livros contam a história de Kote, um estalajadeiro em uma pequena cidade, que revela-se sendo ninguém mais ninguém menos que Kvothe, um personagem lendário de várias histórias.

Me interessei na série ao ouvir falar do tal Kvothe em uma página no Facebook, que listava seus variados títulos. Fiquei curioso e procurei a respeito do “O Nome do Vento”, o primeiro livro da série.

O livro me conquistou por duas razões:

  • A premissa de um personagem contar a história por trás das histórias é bem interessante, saber como ele fez tal coisa famosa e não sei o quê.
  • O trecho transcrito nas abas internas da capa e contracapa (aquelas que “servem” para marcar as páginas mas na real são uma porcaria e detonam a capa)
waystone inn

Mesmo no fim do mundo, ainda uma bela pousada.

Depois disso, não resisti à curiosidade. A narrativa ocorre no presente, com Kvothe na hospedaria contando sua história ao Cronista, um homem que busca registrar a história de pessoas famosas, e no passado, em primeira pessoa, representando o que está sendo registrado pelo tal Cronista.

É explicado que a história será contada em três dias, com cada um dos livros representando um dos dias. Em “O Nome do Vento” temos o primeiro dia, onde Kvothe conta como foi sua infância e suas primeiras aventuras.

Aqui magia não é algo comum. É coisa das histórias antigas. Seu poder está na arte de nomear as coisas. Quando se sabe o nome de algo, se tem poder sobre esse algo. Essa é a ideia. Existe também a Simpatia. É parecido com magia, mas segue algumas regras. Como se fosse uma mistura de ciência e magia.

Outra coisa muito interessante do livro são as várias analogias com instrumentos e música, já que o Kvothe é parte dos Edena Ruh, um grupo de artistas de trupe. A forma que o autor descreve as músicas é diferente de qualquer coisa que eu havia lido antes, dando ênfase ao sentimento que a música passa.

Nota: 10. Não é meu livro preferido atualmente à toa, eu realmente fui completamente fisgado na narrativa e não conseguia parar de ler.

The_Wise_Man's_Fear_2_by_Marc_Simonetti

“O homem sábio teme a noite sem luar”.

O segundo livro segue adiante com o segundo dia. Nele começamos a ver as lendas mais interessantes do Kvothe sendo explicadas, assim como conhecemos mais do mundo no qual ele vive.

Aqui temos mais informação sobre o funcionamento da nobreza, os Encantados (as fadas no mundo de Crônicas) e os mercenários Ademrianos, que são os lutadores mais habilidosos conhecidos no mundo.

E como não poderia deixar de ser, temos mais informações aqui sobre os grandes vilões que Kvothe quer matar: o Chandriano. Um grupo de sete seres poderosos para cacete que andam para lá e para cá matando geral que tenta se meter nos assuntos deles. Só a nata.

Ao mesmo tempo, na narrativa no presente, começamos a entender mais o que se passa com Kvothe para que ele tenha ido parar numa estalagem no meio do nada.

Nota: 9. Ainda é muito bom, porém ao invés de responder as perguntas que temos ao ler o primeiro livro cria outras que devem ser respondidas no terceiro. Mesmo explicando alguns mistérios apresentados em “O Nome do Vento”, ficamos com a sensação de que faltaram mais respostas.

The_Slow_Regard_of_Silent_Things_by_Marc_Simonetti

“Se a lua tiver uma porta, esta chave abrirá ela”.

Temos por fim, o spin-off da série principal: “A Música do Silêncio”, um livro curtinho que conta o que acontece em um dia de Auri, uma das personagens secundárias da série.

Esse livro não é normal.

É o jeito mais fácil de descrevê-lo. “A Música do Silêncio” é um livro feito para se ler quando se está em um estado de espírito propício, para se sentir mais próximo da Auri.

Vejam bem, ela é a única personagem humana no livro. “Ah, mas então tem elfos e anões e orcs?” Negativo. Os outros “personagens” são objetos, com quem ela conversa e percebe desejos e sentimentos. Os objetos não falam, mas ela sabe o que eles querem.

Parece estranho? E é. Mas ainda assim é uma leitura muito agradável, porque como eu disse, estando num estado de espírito bom você aprecia o livro como se fosse uma espécie de poesia.

Nota: 7,5. Não dou mais nota porque realmente não é algo que qualquer um pode ler a qualquer momento sem ficar pensando “que raios estou lendo?”.

E é isso por hoje, pessoal!

Comentários, críticas e sugestões são sempre bem-vindos. Recomendo com todas minhas forças que leiam esses livros, apesar do tamanho intimidador (“O Nome do Vento” tem em torno de 600-700 páginas e “O Temor do Sábio” tem em torno de 900). Vocês conseguem, tenho fé em vocês!

Ciao.

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7 comentários sobre “[Análise] Saga Crônicas do Matador do Rei

  1. Puxa, ótimo texto. Se não já conhecesse a série, aposto que teria vontade de ler. Also, belo resumo sobre os Chandarianos. 😀

    Ainda preciso arrumar tempo pra ler A Música do Silêncio, só pelo fato da melhor personagem ser a personagem principal. O Nome do Vento me instigou tanto que sem pensar duas vezes fui atrás de informações pela internet, o que é um grande calabouço de (muitas) teorias malucas. Acredito que por mais volumoso que os livros sejam, a leitura é fluída demais, não tem o que reclamar. Agora, só resta confiar (e esperar bastante) ao Rothfuss o destino incerto do terceiro livro.

    Curtido por 2 pessoas

  2. Primeiramente, ótima review, conseguiu passar muito bem o ‘’feeling’’ da obra em si e soube dar uma opinião equitativa quanto à critica do mesmo, além de claro, conseguir dosar o humor com a ‘’seriedade’’.
    Mas, contando um pouco de minha experiência com a obra, e já começando com uma discórdia, pois não acho o primeiro livro tão esplendido assim. Diferentemente do segundo, que este eu já considero um primor de narrativa, meu principal problema com o primeiro livro, é a própria questão da narração, onde no início, o mesmo dosava entre uma narrativa de terceira para primeira pessoa, e enquanto a primeira pessoa era simplesmente estonteante e belo, a terceira pessoa era medíocre, obvio que ele se aprimorou com o passar do tempo, mas principalmente no início, dava uma sensação de estranheza ao se deparar com essa quebra de qualidade. Além claro, de que eu acho os acontecimentos do 2º muito mais emocionantes, mas isso é só um achar…
    Só queria por agora, efetivar o hype pelo terceiro livro. Assim como você disse, ele acabou não respondendo quase nada neste segundo, justamente o contrário, trouxe mais dúvidas para nos, e é nisso que eu questiono, qual o recurso de roteiro ele vai utilizar para explicar tanta coisa em tão pouco tempo? Resposta obvia ‘’ leia o título do próximo livro’’ . Mas há quem diga que a serie precisava de mais livros, pois são muitas coisas para se acontecer em um só. Eu, contrariamente penso que pode sim se finalizar muito bem ali, e a minha ansiedade pelo próximo já ultrapassa as estrelas.
    Enfim, é um livro formidável e uma serie épica, e isso tudo em uma bela review. Parabéns 🙂

    nota: não li ainda “A Música do Silêncio”, justamente por medo, já que várias pessoas confiáveis falavam que era tão inferior à saga original, que nem parecia que o Patrick tinha escrito, mas assim acabei por não comentar.

    Curtido por 2 pessoas

    • Você por aqui? xD
      Ainda nem terminei o primeiro, mas pelo pouquíssimo que li discordo da parte da narrativa em terceira pessoa ser chata. Lógico que ainda estou no começo mas as vezes a arrogância do Kvothe irrita um pouquinho.
      E bem, é bom que a qualidade desses livros seja equivalente ao hype que todo mundo põe xD

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    • Bom, pessoalmente não vi problema com a narrativa em terceira pessoa no primeiro livro mas devo concordar que realmente a escrita dele melhora no segundo (embora já achei muito boa no primeiro).

      Quanto a série precisar de mais livros eu penso que haverá um livro para o terceiro dia de histórias, que vai acabar com ele na Marco do Percurso. Então no final do livro aconteceria algo que faria com que ele voltasse a ser o Kvothe, e não mais Kote. Depois sairia um quarto livro com a história do que aconteceria após isso. (Teorizando hardmente aqui, claro xD)

      O “A Música do Silêncio” mantém o nível de escrita do “O Temor do Sábio”, mas por ser muito diferente o estilo já que se trata da Auri acaba sendo bem 8 ou 80. Ou você adora o livro e se identifica com o estilo ou você odeia.

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