[Análise] Helloween – My God-Given Right, faixa por faixa!

Helloween-My-God-Given-Right-2015

É meu direito dado por Deus de falar do novo CD do Helloween!

Criada em 1984 em Hamburgo, a banda alemã Helloween sempre foi assunto por onde apareceu. Citada por muitos como a banda que criou o Power Metal, apesar de eu não concordar com isso (pra mim que criou foi o Rainbow, mas isso é discussão pra outro momento), é inegável o sucesso tanto comercial quanto de crítica da banda no gênero, principalmente na dupla Keeper Of The Seven Keys Part 1 & 2 (que 2 décadas depois virou uma trinca com The Legacy).

Porém, outro fator que sempre deixou a banda na boca do cenário foi suas sempre polêmicas trocas de membros. Só no que me lembro agora, foram 5 grandes formações, com a última (que está junta desde Rabbit Don’t Come Easy) sendo a que está a mais tempo junta e a que mais gravou CDs. E seu último lançamento, My God-Given Right, vai dar muito o que falar.

Formada atualmente por Andi Deris (vocais), Markus Grosskopf (baixo e vocais de apoio), Michael Weikath (guitarra e vocais de apoio), Sascha Gerstner (guitarra e vocais de apoio) e Daniel Löble (bateria), o novo CD da banda volta novamente com o lado “Happy Happy Helloween”, se focando mais em músicas curtas, rápidas e com refrões cativantes do que no peso e agressividade de outrora em álbuns como The Dark Ride (2000) e 7 Sinners (2010). Vale ressaltar também que o lado “Happy Happy Helloween” também está muito presente nas letras, focadas muito mais em mensagens positivas e no humor do que nas letras de ficção (apesar dessas também estarem presentes). Bom, vamos lá:

Heroes – O CD começa com um riff bem pesado, mas bem grudento. Composta por Gerstner, sua influência é bem visível na levada da música. A letra fala sobre ser um “herói do dia a dia”, como tantos outros que estão na rua todos os dias (bem diferente do que se espera de uma música chamada “heroes” por uma banda de “power metal”, para aqueles mais preconceituosos). Verso ótimo, mas o refrão peca um pouco (só um pouco). Mas ótima música, no geral. Nota 8/10.

Battle’s Won – Primeiro single do CD, composto por Weikath. Carrega bem aquele espírito “happy happy helloween”, sendo uma música bem pra cima. Com uma letra falando sobre guerra (ou, mais especificamente, sobre vencer), a música num geral cumpre bem seu papel, mas é meio fraca, principalmente para primeiro single. Recebeu um ótimo lyric vídeo oficial, que você pode conferir clicando aqui. Nota 7/10.

My God-Given Right – Primeira composição de Deris e primeiro clipe do álbum (bem tosco no melhor sentido da palavra, e você pode conferir no final da matéria), a faixa-título é fantástica. Seguindo o esquema de músicas curtas, rápidas e “positivas”, a terceira música do CD esbanja carisma, com uma ótima letra sobre autoconfiança e um refrão que vai ficar na sua cabeça no momento eu você ouvi-lo pela primeira vez. Infelizmente, o solo peca um pouquinho. Nota 9,5/10.

Stay Crazy – Novamente por Deris, a música se inicia com notas de baixo que me fizeram pensar que seria a primeira balada do álbum, mas logo me enganei. Apesar dos versos fracos, a música empolga com um refrão bem “inesperado”, e Deris repete o verso principal da música num tom grave após o refrão igualzinho fez na faixa anterior. Ótimo solo, apesar da quebrada de ritmo e de tempo que a música dá após o segundo refrão que não combinou muito. Nota 7,5/10.

Lost In America – A graça dessa música composta novamente por Deris já começa na inspiração para a letra: depois de esperar 17 horas em um aeroporto para pegar um avião já que o voo deles havia sido cancelado, a banda entrou num voo em que depois de certo tempo o piloto avisou que eles teriam que pousar por problemas técnicos, porém o piloto não fazia ideia de onde estavam, deixando a banda “perdida na América” (mais precisamente, na América do Sul). Adicione (muito) álcool na mistura e você tem essa música. Primeira faixa liberada do álbum, a canção é ótima, com um refrão incrível que chama a atenção logo na primeira reprodução. Aliás, sua história lembra inclusiva a de Lavatory Love Machine, do Edguy, não? Nota 10/10.

Russian Roulé – A música se inicia com um riff de guitarra com uma distorção incomum, para logo entrar com peso. Apesar da letra boa escrita por Deris falando sobre um “futuro pessoal incerto”, achei a faixa bem fraquinha. O melhor momento é após o segundo refrão, com uma ótima ponte e solo. Refrão mais fraco até agora. Nota 7/10.

The Swing Of A Fallen World – Música mais pesada do álbum até agora, é também a mais sombria. Lembra bastante a época do The Dark Ride, sendo a música menos “Happy Happy Helloween” do CD. Sua ótima letra fala, com muito pessimismo (completamente contrário ao resto do álbum) sobre o mundo em geral, e é a letra que mais associei com o conceito da capa do álbum, apesar de não haver uma razão especifica para isso. Bem cadenciada, e um dos destaques do CD. Nota 9/10.

Like Everybody Else – Canção mais leve, segunda composição de Gerstner para o CD. Volta o espírito “Happy Happy Helloween”, mas muito mais acessível e calmo, sem a energia de outrora. Apesar da ótima letra, canção mais fraca do CD por ora. Nota 6,5/10.

Creatures In Heaven – Com uma introdução fantástica, bem hard rock (que Weikath diz ter sido inspirado pelos clubes de hard rock antigos para compor),, a canção alterna perfeitamente bem entre o anterior e o power metal característico da banda. Não só uma ótima letra como também um ótimo solo, que forma um dos maiores destaques do álbum. Nota 9,5/10.

If God Loves Rock ‘n’ Roll – Candidata a melhor canção do álbum, a última composição de Deris para a versão normal do CD cativa e fica na cabeça logo na primeira execução. Como é de praxe em quase todo CD do Helloween, essa é a música mais cômica, e junto com Heavy Metal Hamsters (do Pink Bubbles Go Ape) é uma das melhores “piadas musicais” da banda. Além da ótima letra, a música em si tem uma bela composição, com um solo bem legal e linhas vocais bem grudentas. Nota 10/10.

Living On The Edge – Única composição de Grosskopf para a versão normal do CD (as outras ficaram para as músicas bônus), a canção, liricamente falando, parece ser um “remake” de Victim Of Changes, lá do EP Helloween, quando Kai Hansen ainda era o vocalista (e que depois foi regravada com Michael Kiske no vocal para o single de Dr. Stein). Só que, ao invés de ser em primeira pessoa, com um trecho em terceira pessoa bem “sádico”, esta música narra em terceira pessoa a vida de alguém que considerarei como o mesmo protagonista, só que com um clima muito mais positivo, como se fosse alguém tentando ajuda-lo (principalmente no refrão). Apesar do refrão ser um pouco fraco (principalmente se comparado ao resto do CD), é uma ótima música. Nota 8,5/10.

Claws – A letra me lembrou muito Electric Eye, do Judas Priest (que inclusive já teve um cover feito pelo Helloween). Com um ritmo muito (MUITO) quebrado, é a música mais estranha e mais fraca do CD, na minha humilde opinião. Nota 5/10.

You, Still Of War – A última canção da versão normal do CD é também a mais longa. Bem melódica, é a segunda mais pesada do CD (atrás de The Swing of a Fallen World), e contém uma ótima letra, sobre uma bomba nuclear que é a última coisa que restou de uma guerra. O único defeito da música é que nada nela realmente se destaca, além da letra. Mas no geral é uma boa música. Nota 8/10.

I Wish I Were There – Começando a parte de músicas extras do CD, esta composição de Deris é bem… Estranha. Ela aparenta ser um hard rock romântico, mas tem um refrão bem “estranho”, com um ritmo meio quebrado. É uma música diferente, mas nada que chame muita atenção. Nota 6/10.

Wicked Game – Ótima música. Como foi composta pro Gerstner, poderia estar facilmente no lugar de Like Everybody Else. Apesar da letra não ter nada demais, é uma música bem pesada e divertida. Nota 8/10.

Free World – Como Grosskopf só teve uma música na versão normal, essa música e as próximas duas são de autoria dele. E ouvindo essa canção já dá a impressão de que a banda cometeu um erro deixando-a de fora. Uma letra bem positiva, a música não arrisca demais, mas por manter-se onde sabe que faz bem se torna uma grande canção, e com um refrão sensacional. Nota 8,5/10.

Nightmare – Outra ótima canção, um pouquinho mais pesada, mas bem divertida. É uma pena não ter entrado para a versão normal do CD. Nota 9/10.

More Than a Lifetime – Mais fraca dessas 3 canções, mas ainda assim muito boa e com a melhor letra das 3. Nota 7/10.

My God-Given Right pode não ser o melhor CD do Helloween, mas é um álbum que vale muito a pena ouvir e se divertir com seus refrões grudentos e suas letras divertidas. Alguns podem sentir falta de momentos mais épicos ou de mais agudos de Deris, mas por mais que o CD não esteja tão voltado para este lado, ainda são elementos presentes em vários momentos. A performance de todos os membros da banda está ótima, com destaque novamente pra Deris e seu vocal carregado de carisma. Minhas únicas ressalvas são as quebras de ritmo, bem incomuns e não muito agradáveis em algumas músicas, e as composições de Grosskopf terem ficado de fora da versão normal do CD. De resto: vá ouvir logo.

Nota geral: 8/10.

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