[Reflexão] Um filme… “Feminista”?

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E mais uma vez os extremistas ficam “loucos” (ha).

Na última quinta-feita (14) estreou nos cinemas do mundo inteiro Mad Max: Estrada da Fúria, quarto filme na franquia clássica de George Miller. O filme conta a história de Max Rockatanski (Tom Hardy), que vive em um mundo pós-apocalíptico e que ajuda Imperatriz Furiosa (Charlize Theron) a fugir de Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne). O filme conta também com Nicolas Hout e vários outros no elenco. O filme está fazendo um sucesso estrondoso, mas infelizmente a discussão aqui não é sobre a (ótima) qualidade do mesmo.

Acontece que nesse curto período desde a estréia do filme, um grupo de ativistas pelos direitos dos homens se revoltou com o longa e está querendo boicotá-lo.

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Não quero discutir sobre o papel do “feminismo” na sociedade atual nem de sua etimologia. O que quero fazer é alertar para o fato de que ainda existem pessoas tão, digamos, “conservadoras” no mundo. Esses tais “ativistas dos direitos dos homens” usam como argumento que a personagem de Charlize Theron, Furiosa, tem “muitas falas e muitas cenas”. Então calma aí: uma mulher falar e agir é algo ruim?

Indo um pouco mais além, podemos considerar que crescemos em uma sociedade com resquícios de um patriarcado. Ou seja, uma sociedade com o homem como centro. Crescemos com várias (não todas) histórias de ficção sempre centradas em um herói que vai salvar sua dama indefesa e no final, dar um beijo nela. E isso não é algo bom ou ruim, é apenas uma típica estrutura narrativa. Porém, o papel social que isso teve em algumas pessoas foi a de criar a ideia de que “apenas os homens são úteis”. Esse tipo de ideia gera um preconceito, ou ainda, um ódio com uma história que dê um outro papel para a mulher.

FURY ROAD
Outra coisa que reclamaram que o papel de Max foi “diminuído” no filme. Antes de comentar sobre o papel do homem “diminuído”, vou falar sobre o papel da mulher na própria franquia. No primeiro filme, como papel realmente importante, tivemos basicamente apenas a família de Max; no segundo, algumas mulheres daquela “vila da gasolina”, inclusive uma que vira o par romântico de um coadjuvante; no terceiro já temos Tina Turner, e só por isso é óbvio que ela tem um papel importante e essencial para a trama. No quarto, como já disse, temos Charlize Theron como uma personagem-chava para o roteiro; porém, não é só ela que é uma mulher importante. Aliás, o filme chega a um ponto em que temos apenas 3 personagens masculinos realmente importantes (Max, Nux e Immortan Joe) contra um grupo de aproximadamente 6, 7 mulheres (não me lembro o número exato). Mas isso não signifca que temos um filme “feminista”; são personagens que aparecem e agem de acordo com o roteiro, e não o contrário.

E voltando ao papel do Max, as críticas de que o personagem “fala pouco” e “só ouve o que a Furiosa diz” foram feitas provavelmente por alguém que não conhece a franquia. Max sempre foi um personagem quieto, de poucas palavras. Aliás, o diretor mesmo trabalha dessa maneira: ele quer que as emoções e mensagens sejam passadas visualmente, e não com falas programadas (aliás, a própria Charlize Theron disse que foi uma das partes mais difíceis do filme atuar pelo visual e não pelas falas). Isso é algo da franquia, e, mesmo assim, algo do personagem.

No fim do dia, temos mais um caso de extremistas agindo sem pensar. Quem dera eles estivessem em um mundo de fogo e sangue ouvindo a Tina Turner cantar pra ver se aprendem.

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