[Análise] Free! e Free! Eternal Summer, da Kyoto Animation

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Depois da Semana Star Wars, vamos falar sobre um anime de delícia esporte, ou quase isso.
Sem spoilers!

High☆Speed! é uma light novel (livros com ilustrações no estilo anime/mangá, normalmente tendo como público alvo adolescentes e jovens adultos) que obteve uma menção honrosa no prêmio anual feito pela Kyoto Animation (famoso estúdio japonês, responsável por obras como K-On!HyoukaChuunibyou demo Koi ga Shitai! e vários outros) no ano de 2011. A popularidade da obra foi tanta que logo o estúdio anunciou que uma adaptação para anime estava sendo feita, contando como uma “continuação” aos eventos da novel.

Assim sendo, em 4 de julho de 2013 estreia Free! (algumas vezes motrado com o subtítulo Iwatobi Swim Club), dirigido por Hiroko Utsumi, contendo 12 episódios e 7 especiais de aproximadamente 2 minutos cada ao todo. O anime logo foi visto por alguns como uma desculpa para fanservice de “5 meninos sem camisa”, enquanto que para outros foi visto como um “ótimo anime de esportes”. O que é inegável que a popularidade foi muito grande, fazendo o anime ganhar uma continuação. Então, em 2 de julho de 2014 estreia Free! Eternal Summer, continuação também dirigida por Hiroko Utsumi, com 13 episódios e 1 episódio extra. Mas e então, o que é Free!? Um “ótimo anime de esportes” ou uma desculpa para fanservice?

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Free!

Nessa primeira temporada, somos apresentados a Haruka NanaseMakoto Tachibana e a Nagisa Hazuka, 3 amigos de infância que nadavam juntos e que agora estão na mesma escola no ensino médio, chamada Iwatobi (com Haruka e Makoto no segundo ano e Nagisa entrando no primeiro). Nagisa vem com a ideia de montar um clube de natação na escola, mas para isso precisam arranjar um membro extra. Logo encontram Rei Ryugazaki, também do primeiro ano, completando o time. E somos também apresentados a Rin Matsuoka, que nadava na mesma academia que Haruka, Makoto e Nagisa e era muito amigo deles quando crianças mas que, depois de voltar de uma viagem de intercâmbio para a Austrália, entra em outro colégio e mostra certa rivalidade e má vontade com seus antigos amigos. Além deles, temos também Gou Matsuoka, irmã de Rin mas que estuda em Iwatobi, também do primeiro ano que se torna a gerente do clube de natação e amiga dos protagonistas; Miho Amakata, professora que é responsável pelo clube de natação; Gorou Sasabe, dono da academia que os protagonistas nadavam e que as vezes os ajuda nos treinos; e alguns outros personagens.

O traço dos personagens é meio que o “padrão” da Kyoto Animation, mais especificamente igual ao de animes como Hyouka e Nichijou, já que todos foram feitos por Futoshi Nishiya. Quanto a isso, nada a reclamar: é realmente um traço muito agradável aos olhos, e a animação fluída ajuda muito nesse sentido. Porém, a animação não cumpre tanto quanto promete nas cenas do esporte em si (ao menos, eu esperava mais), apenas em algumas cenas chave que aí sim ficam realmente bonitas – isso sem falar da água, essa sim MUITO bonita.

Sobre os personagens, temos uma galeria bem “simpática”, no geral. Com exceção à Haruka, todos os personagens são bem amigáveis, até mesmo Rin (que à primeira vista pode ser visto como um “antagonista” do anime, com direito à dente de tubarão e tudo). Haruka é mostrado, desde criança, como alguém “frio”, cuja principal importância é a de “ser livre” dentro da água (aliás, toda essa analogia com ser “livre” (“free”) é muito bem explorada na segunda temporada, mas falo dela já já) – inclusiva nadando o estilo livre (ha!), então o mesmo quase nunca fala, sorri ou demonstra emoções. O máximo que temos de sua personalidade é a de mostrar ele como um personagem confuso, mas mesmo assim inspirador para aqueles a seu redor. Makoto é “o amigo”, e não consigo ver maneira melhor de descrevê-lo; um personagem bem amável, que gosta de todos e é gostado por todos, além de se preocupar muito com as pessoas a seu redor. Nagisa é o personagem mais “extrovertido”, sendo um espelho de Haruka: sempre sorrindo e fazendo questão de que todos vejam o que está sentindo. Rei é mais “inseguro”, sendo o personagem que, por ter chegado “depois” na turma, vai construindo aos poucos sua relação com os outros. Porém, nessa primeira temporada, nenhum deles é decentemente trabalhado; temos, no máximo, a relação entre Haruka e Rin, o desdobramento de Rei como completo desconhecido até se tornar amigo próximo de todos e uma breve amostra do quanto Makoto se importa com Haruka no meio do anime. Mas se nem mesmo os personagens principais são tão bem desenvolvidos, o que dizer de seus secundários? E aí que está um dos maiores problemas de Free: nada é importante além dos protagonistas. A Gou é uma personagem super carismática e com muito, MUITO potencial para ser bem desenvolvida, mas passa o anime inteiro de escanteio, servindo como alívio cômico e recurso de roteiro quando necessária. O mesmo da Miho e do Gorou.

Agora, sobre a história. Essa primeira temporada é bem fraquinha. O conflito principal é… Melodramático demais. Acontece que é algo que sempre me incomoda em histórias que tem isso: um drama MUITO GRANDE por algo não tão grande. Porém, o anime até que lida bem o conflito, ignorando o fato dele ser um tanto quanto “exagerado”. E uma das consequências desse drama tão exagerado se dá em cenas feitas apenas para fanservice. Nessa primeira temporada, temos como foco a rivalidade entre Haruka e Rin, mas é algo construído tão nas coxas que somos apresentados à algumas cenas que, teoricamente, avançariam com o conflito mas que, praticamente, são só cenas para as fãs que “shippam” os dois personagens gostarem. Isso sem contar que o clímax do conflito e o jeito que ele é resolvido é feito de uma maneira tão “simples” que você se sente um tanto quanto “traído” pelo anime. Simplesmente não desce.

Nota: pela diversão, 7, e pelo anime em si, 6.

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Free! Eternal Delícia Summer

1 ano se passou desde a primeira temporada. Somos apresentados à novos personagens, SousukeMomotaru, que entram no time de Rin. Este, aliás, se torna o novo capitão (já que o capitão anterior estava no último ano na primeira temporada), e somos apresentados a um desenvolvimento dele aprendendo a lidar com o próprio time. E temos também que Rin, Haruka e Makoto estão agora em seu último ano antes de uma faculdade, e tem que decidir o que farão de seus futuros – e nisso, somos apresentados ao principal conflito da temporada.

Sobre os personagens novos, Sousuke acrescenta bastante ao conflito principal da série. Por mais que não seja tão carismático, seu drama é muito bem trabalhado (apesar de, novamente, vir de um motivo bem… “Nha”). Enquanto a Momotaru, bom, ele é mais um “alívio cômico”, exercendo quase o mesmo papel que Nagisa mas no próprio time, porém de maneira bem melhor e com muito mais carisma. Aliás, é de uma frase dele que vem o subtítulo “Eternal Summer”.

No geral, essa temporada é muito melhor que a primeira. Contudo, falando assim parece que a temporada viu os erros que a primeira tinha e os arrumou, e não é isso o que ocorre. Ela apresenta exatamente os mesmos erros que a primeira temporada, em alguns casos até mais acentuados, porém seu conflito é tão bem construído que você simplesmente ignora. Além do que a temporada consegue desenvolver mais o Nagisa, o Rei e principalmente o Makoto, que serviam apenas como “plano de fundo” na primeira temporada para a relação de Haruka com Rin.

Vale citar também o episódio extra, que apesar de ter muito – MUITO – fanservice, é bem divertidinho.

Nota: pelo entretenimento, 9, pela qualidade em si, 8.

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Mas então vem a grande pergunta: Free! é um anime de esporte?
Se você considerar “anime de esporte” como um anime que tem seu centro o amor ao esporte, os treinamentos, a vontade de “crescer”, então Free! não é um anime de esporte. É um anime de amizade, em que os personagens não demonstram aquele “amor ao esporte” que se vê em animes do gênero como Hajime no Ippo, Kuroko no Basket, Yowamushi Pedal, Eyeshield 21 ou Haikyuu; o que eles “amam” é nadar com os amigos, e isso para eles é o mais importante. É até uma mensagem melhor do que “fazer o esporte para vencer” apenas (apesar de que a mensagem em si acaba sendo um pouco atrapalhada com tanto fanservice). Mas nesse quesito, Free! usa o esporte muito bem, melhor do que muitos outros que são focados no esporte por aí.

Mas e você, já assistiu o anime? Concorda com o que eu disse?
E a pergunta mais importante: RinHaru ou MakoHaru?

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2 comentários sobre “[Análise] Free! e Free! Eternal Summer, da Kyoto Animation

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