[Análise/Recomendação] Nijigahara Holograph, de Inio Asano – Sem Spoilers

holograph

Qual a diferença entre o que está na sua mente e o que está na frente de seus olhos? Pode parecer uma pergunta besta, mas Nijigahara Holograph, mangá de Inio Asano publicado em 2003 nas páginas da Quick Japan, mostra que isso é muito mais complexo do que imaginamos. Mostra isso e várias outras coisas também. Ou, na verdade, não mostra nada. Pois é.

A obra conta a história de várias pessoas interligadas por uma certa “borboleta”, que guia várias ações da história durante duas épocas distintas, que simplesmente chamarei de Antes (quando a maioria dos personagens estava na escola fundamental) e Depois (com todos já adultos). Temos Suzuki, um garoto problemático que se sente bastante alheio ao mundo ao seu redor; Komatsuzaki, um garoto problemático, apaixonado e briguento; Arakawa, uma garota problemática, carente e que busca felicidade; e temos Aria, uma garota problemática que, em termos, é o fio condutor da história. Há outros personagens, todos importantíssimos para a trama de algum modo, mas digamos que o núcleo se aplica a esses 4. E, como você deve ter reparado, “problema” é o que não falta nesse mangá. nijigahara-holograph-fantagraphics-books Foi minha primeira vez lendo um mangá do Asano, e pra isso, devo comentar separadamente da arte e da história. A história se sucede de um jeito completamente único e bastante (BASTANTE) complexo. Não espere ~linearidade~: a história é contada a partir de vários cenas, algumas até simultâneas, alternando entre o Antes e o Depois, para que apenas no final você consiga construir uma “linha do tempo” na sua cabeça (numa comparação bem grosseira, nesse quesito lembra até um pouco Baccano!!).

Aliás, para ler Nijigahara Holograph, na parte “técnica” é aconselhado duas coisas:
– ler tudo de uma vez;
– ler tudo mais de uma vez;
Eu mesmo para escrever essa análise estou revendo algumas partes específicas para ver se peguei tudo. Cada releitura desse mangá te faz reparar detalhes novos, coisas que fazem muito mais sentido agora do que antes, além de dar um entendimento muito melhor da obra. E falei da parte “técnica” ali em cima pois na parte “emocional”, outras coisas são aconselhadas: – não seja otimista para com as personagens; – se prepare para algumas cenas um tanto quanto pesadas, apesar de não ter nada explícito (apenas perto do final que aparecem mamilos femininos por um quadro); – fume um baseado e se divirta não estranhe se você achar que não entendeu tudo.Nijigahara-Holograph-Inio-Asano-Manga-11 Sobre a arte do mangá, admito que não sei o quanto Asano é dependente de ajudantes ou coisas do tipo, mas se é ele quem desenha e sombreia tudo sozinho, além de ótimo escritor temos aqui um ótimo artista também.

Sobre as personagens em si, o traço de Asano é bem simples (alguns até diriam que “os rostos são feios”, apesar de eu discordar), fazendo o suficiente para que reconheçamos quem é quem sem muito esforço. O que realmente chama a atenção aqui é: seu sombreamento e sua noção de profundidade. Incluiria “cenários” ali, mas a beleza dos cenários dele se dá mais na parte da junção dos dois itens anteriores. É incrível como dentro de cada quadro Asano consegue dar detalhes a tudo: você sabe onde cada pessoa e objeto está num nível de realismo que as vezes parece até uma foto.nijigahara-holograph-3 Lembra do começo da postagem? Reparou que praticamente não contei uma “sinopse” da obra?

Acredito ser muito difícil contar uma sinopse do que aconteça sem dar muitos spoilers. O mangá apresenta a você um mundo em que todos estão interligados, até mesmo o personagem que você menos espera.

 E isso pode ser “ruim”.

Nijigahara Holograph é um mangá que cobra MUITO do leitor. Se você quer ler, o melhor a fazer é lê-lo de uma vez, e, se possível, reler logo em seguida. Cada detalhe novo descoberto é uma explosão nova em sua mente.

Minha recomendação é, caso você tenha preguiça de reler o mangá, leia-o inteiro de uma só vez e logo após escute o podcast do Mangá² analisando a obra.

Nota: 9 (só não dou 10 porque algumas coisas ainda assim ficaram bem confusas para mim)

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